Paulo Flores e o rapper Prodígio cantam juntos contra a Fome e pela Esperança

Chama-se Esperança o projecto que junta os angolanos Paulo Flores e Prodígio (rapper), ambos reconhecidos nacional e internacionalmente. O álbum que assinala a estreia desta dupla (e é também um testemunho de duas gerações na mesma causa) chama-se A Bênção e a Maldição e tem data de lançamento agendada para 6 de Novembro, com edição da Sony Music. Lançado um primeiro single em Abril, Nzambi, é agora divulgado o segundo, Fome, que Paulo Flores, cantor e compositor que é há muito uma referência na música angolana, apresenta como um “grito de dor e revolta numa abordagem nua e crua sobre a ultrajante miséria, gente que vive na cara da FOME, aonde a própria fome sente vergonha de o ser”.

“Eu sou a fome/ e todas as crianças do bairro/ já sabem o meu nome”, cantam Paulo e Prodígio no videoclipe, rodado em Angola. E Prodígio, dando voz à fome na cadência do rap, diz: “Transformei rainhas em prostitutas/ Fiz mães perderem a dignidade em troca de pão p'ros filhos/ (...) Mas eu nunca vou p'rá elite/ De lá nunca recebo o convite/ Eles lidam com o meu primo afastado que eles chamam de apetite.” A Paulo Flores e Prodígio juntam-se aqui Manecas Costa (guitarras) e Boper (Beat Box). Com direcção artística de Renata Torres, o vídeo tem produção de Envolve e direcção de Phil.

Nascido em Luanda, no dia 2 de Julho de 1972, Paulo Flores lançou o seu primeiro álbum em 1988 (Kapuete), mas foi nos anos 2000 que foram editados os seus trabalhos mais marcantes, desde Recompasso (2001) e Xé Povo (2003) a Ex-Combatentes (em triplo CD, 2009), O País Que Nasceu Meu Pai (2013), Bolo de Aniversário (2016) e Kandongueiro Voador (2017). Prepara para muito breve um outro, a que chamou Independência, já que em 11 de Novembro de 2020 se assinalam 45 anos da independência de Angola. Já Prodígio, de seu nome Osvaldo Moniz, nasceu em 1988 e integra o grupo de hip-hop Força Suprema. O seu álbum Prodígios (2015) foi distinguido como Melhor Álbum do Ano no Angola Hip Hop Awards.

Sugerir correcção