Bombardeamentos no Nagorno-Karabakh fazem 51 mortos num só dia

Autoridades do enclave disputado entre Arménia e Azerbaijão dizem que há mais 51 mortos nos últimos combates. Rússia sugere a integração de propostas turcas nas negociações de cessar-fogo.

Edifício no Nagorno-Karabakh depois de ser atingido por um rocket
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Edifício no Nagorno-Karabakh depois de ser atingido por um rocket HAYK BAGHDASARYAN /EPA

O conflito no Nagorno-Karabakh voltou a agudizar-se, depois de mais um cessar-fogo ter sido violado. Potências internacionais pedem mais uma ronda de negociações para tentar pôr fim à violência no Cáucaso.

As autoridades separatistas do enclave disseram esta quinta-feira que houve mais 51 mortos entre as suas fileiras, elevando para 1166 o número de vítimas desde o início da mais recente vaga de confrontos, há cerca de um mês. Durante a noite, o Exército azerbaijano bombardeou vilas e já esta quinta-feira voltou a atingir a principal cidade do enclave, Stepanakert, segundo responsáveis do Nagorno-Karabakh. Na véspera, uma maternidade já tinha sido atingida. O Governo arménio diz que, para além de Stepanakert, as cidades de Shushi e de Martakert estão “sob ataque contínuo”.

O Ministério da Defesa do Azerbaijão disse que as suas forças foram bombardeadas na província de Goranboy, a norte do enclave, e que 21 civis morreram e 70 ficaram feridos na sequência do lançamento de rockets contra a cidade de Barda. Ao todo, morreram 69 civis e 322 ficaram feridos do lado do Azerbaijão desde o final de Setembro.

O reacendimento do conflito pelo controlo do Nagorno-Karabakh, iniciado a 29 de Setembro, já representa o pior período desde que a Arménia e o Azerbaijão entraram numa guerra, no início dos anos 1990, que fez mais de 30 mil mortos. Apesar de se situar em território azerbaijano, o Nagorno-Karabakh tem uma população maioritariamente arménia e cristã – no Azerbaijão, a maioria é muçulmana. Nagorno-Karabakh é controlado por um governo pró-arménio, que é apenas reconhecido por Ierevan.

Desde o fim do conflito, em 1994, o território, reivindicado pelos dois países, é palco de episódios esporádicos de violência. 

Desde que os combates regressaram à região que as potências mundiais tentam mediar um acordo de cessar-fogo, mas por três vezes esse entendimento caiu por terra ao fim de pouco tempo com os dois lados a cederem às hostilidades. Depois de dois acordos mediados pela Rússia terem sido quebrados ao fim de alguns minutos, o último, promovido por Washington e em vigor desde o domingo, também foi violado rapidamente.

Esta quinta-feira, a União Europeia disse ser “inaceitável que, após três acordos de cessar-fogo mediados pela Rússia, França e Estados Unidos, os combates no Nagorno-Karabakh e em seu torno continuem”. Os três países integram o Grupo de Minsk, criado em 1994 sob os auspícios da Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE) para mediar os conflitos entre a Arménia e o Azerbaijão. São esperados mais encontros deste grupo em Genebra esta semana, segundo a Reuters.

Perante o terceiro falhanço dos esforços internacionais, o Presidente russo, Vladimir Putin, pediu o regresso das negociações e admitiu o estudo de propostas vindas do Governo turco para que o impasse seja superado. A Turquia, aliada do Azerbaijão, tem criticado duramente a mediação internacional do Grupo de Minsk.

A Arménia acusa Ancara de estar a apoiar militarmente o Azerbaijão, através do envio de mercenários turcos que lutaram na Síria para o Cáucaso.

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