BCE diz que vai tomar mais medidas, mas por enquanto fica tudo na mesma

Lagarde não escondeu o pessimismo com que encara a necessária recuperação económica dos países da zona euro, e prometeu que o BCE reforçará os seus instrumentos de apoio à economia para ajudar os países europeus a enfrentar a segunda vaga.

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Reuters/KAI PFAFFENBACH

Para já fica tudo na mesma, e as taxas de juro mantém-se inalteradas. Mas na próxima reunião de política monetária, o conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) estará preparado para fazer as mudanças necessárias para ajudar os países a enfrentar a segunda vaga da pandemia. “O BCE esteve na primeira vaga da pandemia e também vai estar na segunda”, afirmou Christine Lagarde, na conferência de imprensa desta quinta-feira, que se seguiu à reunião do conselho de governadores.

Na reunião, o BCE decidiu deixar as taxas de juro inalteradas e manter o volume do seu programa de compra de activos destinado a atenuar os efeitos económicos da pandemia de covid-19. A principal taxa de refinanciamento mantém-se em 0%, um mínimo histórico, a taxa de juro de facilidade marginal de crédito permanece em 0,25% e a taxa aplicada aos depósitos continua negativa em -0,50%.

A presidente do BCE repetiu várias vezes que os riscos para a recuperação da região estavam “claramente inclinados para o lado negativo” e fortemente dependentes do sucesso dos esforços para conter uma nova onda de infecções que ameaça dominar a Europa neste Inverno. “Concordamos, todos nós, que era necessário agir e, portanto, recalibrar nossos instrumentos na nossa próxima reunião do Conselho do BCE”, disse Lagarde.

O BCE reservou 1,35 biliões de euros para compras de títulos até meados de 2021 e ainda tem 700 mil milhões de euros de reserva. Mas há limites claros para os poderes do BCE e Lagarde enfatizou que não deve haver atrasos para o fundo de recuperação de 750 mil milhões de euros da União Europeia e reafirmou sua visão de que a política monetária deve ser complementada por um apoio maciço dos governos. “Uma ambiciosa postura orçamental coordenada continua crítica”, disse Christine Lagarde.

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