Greve e vandalismo levam ao encerramento da Casa Batlló em Barcelona

Edifício modernista desenhado por Gaudí foi alvo de “actos de vandalismo”, dizem os proprietários, confrontados com uma greve do pessoal por tempo indeterminado.

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Casa Battló Rui Gaudêncio

A Casa Batlló, o edifício modernista de Antoni Gaudí (1852-1926) no centro histórico de Barcelona, vai fechar ao público a partir desta quinta-feira, como forma de se resguardar dos problemas que a têm afectado na sequência de uma greve decretada pelo sindicato Solidariedade e Unidade dos Trabalhadores (SUT), num conflito que se arrasta desde a primeira semana de Outubro.

A casa situada no Paseo de Gràcia “fecha as suas portas para proteger os seus empregados, os visitantes e o icónico edifício de Gaudí de actos de vandalismo”, pode ler-se no site do edifício classificado como Património da Humanidade em 2008.

Segundo noticia o El País, os manifestantes já partiram um vitral e lançaram fogo às portas da casa concluída em 1906. O diário espanhol explica que os desacatos mais recentes em volta da Casa Batlló surgiram na sequência de uma primeira manifestação promovida pelo SUT no dia 8 de Outubro, no lançamento de várias acções de protesto e reivindicação por melhores condições de trabalho no edifício.

Actualmente propriedade da família Bernat, a Casa Batlló é gerida pela empresa Staffpremium, que “teve desacordos internos com alguns dos seus trabalhadores, que iniciaram uma greve por tempo indeterminado”, diz o comunicado da casa-monumento.

“Desde o primeiro momento, a Casa Batlló foi alvo de ameaças, insultos e agressões constantes contra os seus empregados e visitantes e o Património Mundial”, descreve o El País, citando fonte dos proprietários. No sábado passado, manifestantes encapuzados atiraram pedras contra o edifício, danificando os chumbos originais de 1906 e causando “danos irreparáveis”. Simultaneamente, outros manifestantes lançaram tochas e petardos, ao mesmo tempo que danificavam mobiliário urbano e amedrontavam os visitantes.

Em manifestações anteriores — ainda segundo a fonte citada pelo El País —, os grevistas usaram megafones e apitos que obrigaram inclusivamente alguns dos funcionários da casa a pedir assistência médica.

Uma máscara por mês

Ao diário espanhol, o director da Casa Batlló, Gary Gautier, justificou a decisão de encerrar por não poder “garantir a segurança na via pública, nem a dos visitantes e do património”, apesar de terem contratado serviços de segurança para o efeito. “Fechamos para proteger um edifício que, muito mais do que um negócio, é Património da Humanidade”, acrescentou Gautier.

Segundo os proprietários, trabalham na Casa Batlló 35 pessoas com contratos temporários — antes da pandemia, o número de subcontratados pela Staffpremium chegava aos 60, mas a empresa reduziu entretanto esse número para menos de 20. Fazendo notar que nem todos os trabalhadores aderiram à greve, a Casa Batlló remete para a Staffpremium a responsabilidade da solução dos problemas laborais que estão na origem da situação actual.

O SUT tem acusado a empresa de realizar contratações fraudulentas, de despedir empregados com três anos de serviço, sem respeitar a lei laboral, argumentando ainda que os trabalhadores têm visto os seus salários reduzidos. Por outro lado, acusam a Casa Batlló de só atribuir a cada trabalhador uma máscara por mês e de os obrigar a receber e conduzir as visitas dos turistas aos vários espaços do edifício sem viseiras e sem a necessária distância de segurança – acusações que os proprietários negam.

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