Cristina Rodrigues, a deputada polémica que garantiu a aprovação do Orçamento

O nome da deputada não-inscrita, que deixou o PAN em meados deste ano, nem sempre foi falado pelas melhores razões.

Cristina Rodrigues
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Cristina Rodrigues JOSÉ SENA GOULÃO
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A agora deputada não inscrita, ao centro evr Enric Vives-Rubio

Ao anunciar nesta segunda-feira que iria abster-se na votação do Orçamento do Estado para 2021, a deputada não-inscrita Cristina Rodrigues garantia a aprovação do documento na especialidade. A antiga parlamentar do PAN voltava assim à ribalta noticiosa, onde já esteve em várias ocasiões na sua curta vida política.

Maria Cristina Pacheco Rodrigues, de 35 anos, formada em Direito, foi eleita deputada nas eleições legislativas do ano passado pelo distrito de Setúbal, “roubando” ao CDS um lugar que este habitualmente garantia.

Durante a campanha eleitoral, ganhou protagonismo na sequência de uma entrevista que deu ao Podcast Conversa que contava com perguntas dos eleitores e de membros de outras candidaturas. Cristina Rodrigues engasgou-se em várias temáticas eleitorais caras ao PAN e, quando questionada sobre qual era a proposta do partido para o salário mínimo, acabou por dizer que não sabia, porque não lera o programa eleitoral do PAN. Mais tarde, acabou por se justificar, assumindo que preferiu ser sincera.

Mas antes, no final de 2018, o seu nome já tinha saltado para a actualidade noticiosa também por razões pouco abonatórias. Uma reportagem da TVI dava a conhecer o grupo Intervenção e Resgate Animal (IRA). Em alguns casos, as suas práticas para o resgate de animais (que o IRA dizia serem vítimas de maus tratos) não eram as melhores: os membros do grupo actuavam encapuzados e até usando de violência.

A TVI revelava que o grupo tinha ligações ao PAN e dava como exemplo o facto de a chefe de gabinete do então deputado único e líder do partido, André Silva, pertencer ao IRA. A chefe de gabinete era Cristina Rodrigues. O PAN desmentiu ligações ao grupo e disse que Cristina Rodrigues apenas “prestou esclarecimentos jurídicos a essa associação em nome individual”.

Já em Junho deste ano, a parlamentar e membro da comissão política nacional do PAN anunciou que deixava o partido e que passava à condição de deputada não-inscrita. E fê-lo com estrondo, acusando o PAN de a quer silenciar e de condicionar a sua “capacidade de trabalho”.

No início deste mês, Cistina Rodrigues também causou alguma polémica ao apresentar no Parlamento uma proposta de alteração ao Código de Trabalho que pretendia estender o regime de falta para assistência da família aos animais de companhia e para o direito ao luto por falecimento dos mesmos.