Novo mercado de produtores em Lisboa estreia-se com abóboras e João Rodrigues

O Mercado de Produtores vai ajudar os agricultores a escoarem a produção, em altura de dificuldades causadas pela pandemia, e a aproximarem-se dos consumidores. Começa em pequeno mas quer crescer e continuar. E alegrar os sábados do largo de São Paulo.

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Serão as abóboras, por ser a época delas, a terem as honras de estrearem o novo Mercado de Produtores, uma iniciativa da mercearia e loja de vinhos Comida Independente, que se uniu à Junta de Freguesia da Misericórdia para trazer todos os sábados, já a partir de 31 de Outubro e até 19 de Dezembro, sempre entre as 10h e as 16h, um grupo de produtores até à Praça de São Paulo, em Lisboa.

A cada semana, um chef/cozinheiro irá preparar um petisco inspirado no legume-estrela. E, para a abóbora, o convidado é João Rodrigues, dos restaurantes Feitoria e Rossio Gastrobar, dos hotéis Altis – o chef visitou a quinta Vale das Dúvidas, no Alentejo, perto da Vidigueira, para conhecer melhor as abóboras que aí se produzem, no meio de vários outros vegetais e de um pomar de laranjeiras.

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Na segunda semana, será André Magalhães, da Taberna da Rua das Flores, e que recentemente abriu um quiosque precisamente no largo de São Paulo, que irá mostrar como se pode aproveitar a rama da batata-doce, num prato “de estilo street food” como serão todos os apresentados neste mercado ao longo das oito semanas.

Quem acompanhou João Rodrigues na visita ao Vale das Dúvidas foi Rita Santos, a proprietária da Comida Independente (que fica na Rua do Cais do Tojo, em Santos) e impulsionadora da ideia de um mercado de rua, numa altura em que muitos produtores se confrontam com uma quebra nas vendas por causa da crise na restauração provocada pela pandemia e pelas medidas para a combater. Como a agricultura “não pode parar”, é preciso encontrar formas que permitam escoar os produtos, neste caso aproximando quem os vende de quem os procura, acredita a mentora do projecto. 

“Lembrei-me dos mercados de Natal que existem em vários países”, conta Rita à Fugas. Depois de uma primeira fase, no início do confinamento, em que se lançaram a fazer cabazes para entrega em casa, Rita e a sua equipa começaram a questionar qual a melhor forma de usarem as suas energias – “como podemos ser relevantes”, resume. “Como a nossa filosofia sempre foi assente numa lógica de proximidade, achámos que agora o que fazia mais sentido era dizer às pessoas, ‘venham vocês e tragam os vossos produtos’. Nós aqui funcionamos sobretudo como catalisadores.”

Não se cansa de elogiar a disponibilidade da junta de freguesia da Misericórdia, que rapidamente se entusiasmou com a ideia, acreditando que ela pode dinamizar a zona, e disponibilizou o local. Para já estão previstas oito sessões do mercado, mas Rita admite que, se tudo correr bem, se faça depois uma nova temporada, possivelmente na Primavera, altura em que surgem legumes muito diferentes dos do Inverno que serão trabalhados agora.

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Para já estão previstas seis bancas para a primeira sessão (que coincide com o fim-de-semana em que há restrições à circulação entre concelhos, impostas pelo Governo), mas nas seguintes deverá haver entre oito e dez, com produtores de hortofrutícolas, que serão fixos, e depois produtores que poderão viajar de zonas mais distantes do país e que estarão presentes durante uma sessão trazendo com eles algum produto mais específico.

O objectivo é que sejam produtos biológicos, se bem que, explica Rita, “seja mais importante o que conhecemos do produtor do que propriamente a certificação biológica, apesar de bem-vinda.” E, tal como na loja da Comida Independente, em que cada produto e respectivo produtor têm rostos e histórias, também aqui esse trabalho vai ser feito – servem para isso as visitas prévias a alguns produtores, que podem ser acompanhadas nas redes sociais. “Assim daremos maior profundidade ao mercado para que as pessoas saibam o que estão a comprar”, afirma Rita.

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