No Sicario, o Día de Muertos celebra-se à mesa - e dura uma semana

É um dos pratos “mais complexos” da gastronomia mexicana e um dos seus ícones maiores. O mole poblano serve-se “em ocasiões especiais” e esta é uma delas - celebra-se o Día de Muertos, que é como quem diz, os mortos, os vivos e a riqueza cultural do México. Uma fiesta para “provar” em Matosinhos.

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Tem “chiles pasilla, chiles mulato, chiles ancho”, “uns picantes outros não”; leva especiarias, “como canela, anis, cominho, cravinho”; não faltam “muitos frutos secos”, “amendoim, amêndoa, sésamo”, entre eles; o chocolate, “melhor, o cacau”, é indispensável; as tortillas são incontornáveis, afinal estamos a falar de um prato mexicano. São na verdade cerca de 20 os ingredientes necessários para criar o mole poblano, prato mexicano “por excelência”, num país onde os moles, que é como quem diz, os molhos, abundam (há quem fale em 50). O que vem da cidade de Puebla tornou-se ícone gastronómico do país, servido “em ocasiões especiais,” conta o chef do restaurante Sicario Taqueria Mexicana, Carlos Mañé, como “casamentos e baptizados”. E também o Día de Muertos: e é essa celebração que o traz durante esta semana à carta do Sicario, em Matosinhos.

Então, mais ou menos 20 ingredientes, todos tatemados (tostados numa chapa) individualmente e amalgamados numa pasta; paralelamente, o frango (que substituiu o original, e pré-hispânico, peru) cozido, com cebola, alho, pimento, louro: a pasta dissolvida no caldo do frango resulta no mole. Que se serve sobre o frango e acompanha com arroz à mexicana - de tomate, seco, geralmente com cenoura e feijão-verde. É um dos pratos “mais complexos” da gastronomia mexicana e se no México é possível comprar a pasta já feita e dissolvê-la no caldo do frango, no Sicario vai ser tudo cozinhado desde o zero, assegura Carlos Mañé. Como, aliás, tudo o resto no restaurante que se orgulha da sua cozinha tradicional, onde os “pratos da avó” pontuam entre os “clássicos”, como os inevitáveis totopos (nachos), guacamole e frijoles, os tacos variados (veganos, entre eles), enchiladas (incluindo vegetarianas) e quesadillas.

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Desde o início de Outubro, que é como quem diz, desde o arranque da “segunda temporada”, como diz o chef (o restaurante abriu em Agosto de 2019), todas as semanas há ainda um prato especial. O mole poblano (18€), “o mais complexo”, foi especialmente escolhido para a altura em que o sincretismo cultural do México é mais ostensivo e invade ruas (e cemitérios) em abundância colorida, numa celebração que é Património Cultural Imaterial da UNESCO. Entre 31 de Outubro e 2 de Novembro, as tradições pré-hispânicas e católicas misturam-se no Día de Muertos - os vivos aguardam a visita dos mortos em festa.

Primeiro “chegam” as crianças, depois “chegam” os adultos e à espera de todos estão os altares dos mortos: fotografias, objectos pessoais, velas, flores, incenso e várias oferendas - sempre água, “porque os mortos chegam com sede pela viagem”, conta Carlos Mañé, a sua comida preferida, álcool, cigarros, “tudo aquilo de que eles gostavam e não podem desfrutar do outro lado”. Nos cemitérios é comum fazerem-se piqueniques, com música e dança; as ruas enchem-se de altares dos mortos, catrinas (representação do esqueleto de uma dama da alta sociedade), caveiras mexicanas (floridas e coloridas) - há desfiles quase carnavalescos, há altares de vários tamanhos - “nas escolas, desde a pré-primária até à universidade, fazem-se concursos de altares de oferendas para que não morra a tradição”. Há festa. “Toda a tua vida vives com esta celebração e não é isolada, vive-se em todos os lados”, diz o chef, oriundo de Mérida (Iucatão, no Sul do México) e em Portugal há três anos.

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No Sicario, os funcionários vão estar vestidos a rigor, a decoração vai incluir os motivos típicos da data, mas não faltarão também alusões ao Halloween, com abóboras - que vai ter uma aparição especial num cocktail temático, o Pumpkin Margarita (7,50€), teias de aranha e tudo o resto que preenche o imaginário mais anglo-saxónico. É uma espécie de ponte que se fará, confessa a gerente, Sandra Rodrigues, uma vez que é mais conhecido dos portugueses. Além de que, assume, “em Portugal há dificuldade em identificarmo-nos com este tipo de comemoração dos antepassados à mexicana, com música, comida, bebida”.

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O Sicario está aberto de terça-feira a domingo entre as 19h30 e as 24h e à quinta-feira há happy hour entre as 19h30 e as 21h (dois cocktails pelo preço de um).

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