Opinião

O que fazer com um demagogo?

Os pais-fundadores não tinham resposta, a não ser a criação de um sistema de checks and balances, de três instituições: Presidente, Congresso e o Supremo Tribunal. William Kristol adverte que a rendição do Partido Republicano a Trump distorce o papel do Congresso.

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Reuters/TOM BRENNER

1. Do ponto de vista de quem não é americano, mas “participa” de alma e coração nas eleições americanas, um dos debates mais interessantes nos três dias da 28.ª edição do Fórum Político do Estoril, organizado pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, tinha como tema uma frase que costumamos utilizar a torto e a direito, mas que, neste caso particular, faz todo o sentido. “A América na encruzilhada”. Com dois oradores principais a intervir de Washington (a conferência realizou-se via Zoom) de nomes familiares para quem acompanha o que se passa no mundo das ideias: William Galston, da Brookings Institution, e William Kristol, que publicou uma das revistas de referência do movimento neoconservador americano, a The Weekly Standard (entretanto, fechada). Esperar-se-iam posições contrastadas sobre os dilemas que a América atravessa neste momento. A convergência de opiniões entre ambos é o primeiro e inequívoco sinal de que a era Trump não encaixa na normalidade política de quase 250 anos de vida que leva a democracia americana.