Trânsito caótico em dia de F1: duas horas para chegar ao autódromo do Algarve

Hotelaria do Algarve oferece preços para todas as bolsas, mas a “escapadinha” do fim-de-semana desportivo não chega para aliviar a crise.

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A corrida de Ricardo Silva começou logo pela madrugada - partiu de Sesimbra às 5h30 para tentar para assistir ao Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, montado numa moto de 600 centímetros cúbicos. “Terminada a prova, regresso a casa”, diz o funcionário público, 47 anos, declarando-se “fã dos desportos motorizados e futebol”. Sentado nos degraus da escadaria de acesso ao restaurante do autódromo, toma um “pequeno-almoço reforçado” para que o estômago “não comece a dar horas” no auge da prova. Na mochila, trazia a refeição completa, mas não pôde entrar com comida e bebida. “Só uma garrafa de água, desde que fosse com a tampa aberta”, informaram.

Mal acaba de comer o croissant, Ricardo dirige-se a uma das portas da entrada no circuito. Ainda faltam três horas para o início do Grande Prémio de Portugal e os espectadores já se agitam, nos acessos ao autódromo. O trânsito circula empastelado e as demoras chegaram às duas horas. As viaturas ficam estacionadas a umas boas centenas de metros, mas não se ouvem queixas.

 “Costumo acompanhar o Rally de Portugal, de mota”, acrescenta Ricardo Silva, destacando o prazer que lhe dá percorrer o país como se fosse um cavaleiro andante. “Daqui por uns aninhos, quando me reformar, penso continuar a andar por aí, Portugal, Espanha e Itália, por essa Europa fora, nos ralis”. O meio de transporte preferido são as duas rodas. “É a melhor maneira de descobrir os melhores sítios, onde se come bem”.

Na rua, o uso da máscara não é imposto, mas ela está presente na maioria dos rostos. O ambiente é desportivo, mas a covid-19 acelera por todo o mundo sem dar tréguas. Orlando Pedro circula de forma descontraída, sem grandes preocupações. “Costumo assistir às provas de Fórmula 1, Barcelona, Milão”, revela. Chegou no sábado, ficou alojado num hotel de Lagos, conduzindo um Peugeot RCZ, desportivo. Gosta de acelerar? “Não, gosto é de ver os outros a acelerar”, riposta o médico.

Do Porto, onde vive, até Vila Real, cidade onde trabalha, exemplifica, faz “médias de consumo de 5 litros aos 100km”. “Toda a gente me pergunta como é possível gastar tão pouco combustível”, observa. A seu lado, Joana Barreiros sorri e confirma: “Sim, ele conduz muito devagar”.

O céu está carregado de nuvens, ameaçando o regresso da desejada chuva a uma terra sequiosa. “Será que vai chover?” é a pergunta que se ouve cada a instante e que parece preocupar quem tinha pensado em aproveitar o fim-de-semana para fazer umas mini-férias. “Chegámos há três dias”, refere David Vicente, acompanhado da família, de Alcobaça. “Não ficámos alojados em hotel, porque temos casa em Vilamoura”.

A realização deste evento internacional tinha, também, como pretexto adicional ajudar a salvar o sector do turismo algarvio, dizem os empresários, “a passar por um das maiores crises de sempre”. O casal Ricardo Flores e Madly Flores  optou pelo hotel Conrad, na Quinta do Lago. Três noites, 800 euros. Do preço não se queixaram, o que faltou foi “conseguir bilhete para estacionar” junto ao circuito, que custava 15 euros por dia.

António Cruz optou por ficar em Alvor, pagando 73 euros/dia, em regime de “tudo incluído”. Puxa um boné da BMW, enfatizando: “Estou ligado aos automóveis há 27 anos”.  Por outro lado, Carla Brás, de Portalegre, ficou a ver passar as modas: “Não sou adepta da Fórmula 1, o meu marido e os meus filhos é que estão lá dentro”. Esta manhã, quando partiram da praia do Vau, perguntou: “Porque é que vamos tão cedo?”. A resposta surgiria minutos depois: saíram do hotel às 9h00, a viagem demorou duas horas: “O trânsito está um caos”, criticou.