Novo filme de James Bond poderá estrear-se directamente em streaming

A MGM nega, mas em Hollywood discute-se a possível venda de 007: Sem Tempo para Morrer a plataformas como a Netflix ou a Apple. Seria uma saída para os sucessivos adiamentos da estreia do filme em sala.

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Daniel Craig tem a sua quinta presença na saga de James Bond DR

Um porta-voz da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) diz que não comenta “boatos”, e que “o filme não está à venda”, mas a revista Variety garante que o novo capítulo da saga de James Bond, 007: Sem Tempo para Morrer, poderá mesmo ver a sua estreia deslocada para uma plataforma de streaming.

A Apple, a Netflix e a Amazon são as operadoras de que se fala como estando a candidatar-se a este negócio, que, a confirmar-se, não deixará certamente de deixar marcas no panorama mundial da produção e exibição cinematográfica.

007: Sem Tempo para Morrer — o quinto filme da saga protagonizado por Daniel Craig (depois de Casino Royale, Quantum of Solace, Skyfall e Spectre), tendo a seu lado Lea Seydoux e Ana de Armas, Rami Malek e Christoph Waltz — tinha a estreia mundial anunciada para o passado mês de Abril, antes da chegada da pandemia da covid-19. Em Março, perante o alastramento global do novo coronavírus, a produção adiou o lançamento para o mês de Novembro: dia 12, no Reino Unido, e dia 25, nos Estados Unidos.

A persistência e agravamento da pandemia levaram a um novo adiamento da estreia do novo James Bond, que agora está anunciado para o início de Abril de 2021, em simultâneo em vários países, para responder às expectativas de uma “audiência mundial”, justificaram os produtores no início de Outubro.

Mas os planos podem vir a ser outros, afinal. Citando fontes de dentro da indústria de Hollywood, a Variety avança que plataformas como a Apple e a Netflix estão “a explorar a possibilidade de adquirir” os direitos de exibição do filme. Tanto mais porque, acrescenta a publicação norte-americana, os sucessivos adiamentos do seu lançamento já causaram prejuízos à MGM em valores calculados entre os 30 e os 50 milhões de dólares (25 a 42 milhões de euros).

Boatos?

À Variety, um porta-voz da produtora disse, de forma lacónica: “Nós não comentamos boatos. O filme não está à venda. O lançamento foi adiado para Abril de 2021, a fim de preservar a experiência em sala para os cinéfilos”. Mas a revista, citando a agência Bloomberg, diz que o negócio foi o tema de que se falou, na semana passada, em Hollywood. E adianta mesmo a verba de 600 milhões de dólares (mais de 500 milhões de euros) como a parada que estará a ser jogada pela MGM para a alienação da sua “jóia da coroa” (a produção de 007: Sem Tempo para Morrer ascendeu a mais de 210 milhões de euros).

Aquela soma, acrescenta a Variety, será talvez demasiado elevada para as contas da Apple ou da Netflix. De qualquer modo, uma eventual venda do novo 007 dependerá, não apenas do consentimento de Kevin Ulrich, o presidente do grupo Anchorage Capital, principal accionista da MGM, mas também dos produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson. Além de que também a Universal Pictures, que detém os direitos de distribuição do filme fora dos Estados Unidos, e marcas como a Land Rover, a Omega e a Heineken, que patrocinaram a produção, terão uma palavra a dizer.

Por outro lado, uma eventual passagem de 007: Sem Tempo para Morrer para os ecrãs domésticos, em vez das tradicionais salas de cinema, se poderá vir a desagradar aos fãs da saga e aos incondicionais da atmosfera única da sala escura, não fará mais do que acompanhar a procura, por parte da indústria de Hollywood, de novas estratégias de sobrevivência perante a crise, como, de resto, já aconteceu este ano com produções como 2 Príncipes em Nova Iorque e Without Remorse (vendidos à Amazon), Os 7 de ChicagoThe Lovebirds e The Woman in the Window (Netflix), ou Greyhound (Apple).

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