Serengueti, berço do mundo

O leitor Lourenço Gomes partilha a sua experiência nas planícies sem fim da Tanzânia.

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Quando se fala na Tanzânia pensa-se no Serengeti (que, em língua masai, significa planície sem fim - o que parece ser ), e na vida selvagem! Na verdade, quem lá for na época Julho/Agosto, e tiver paciência, fica sentado no jipe a ver, durante horas, passar dezenas e dezenas de milhares de animais em direcção ao Quénia, em direcção à água. Quem lá quiser ir na época das chuvas - Dezembro-Fevereiro, assiste ao regresso dos mesmos milhares e ao fenómeno único do nascimento diário de milhares de animais em plena savana.

As fêmeas vão parindo ao longo do trajecto! Nas “horas vagas” da nossa visita vemos os exemplares das “cinco bestas” aos magotes - elefantes, búfalos, rinocerontes, hipopótamos e gnus; observamos os maiores predadores da natureza às dezenas, muitos deles a menos de dez metros de distância, espantamo-nos com os leões trepadores a dormirem a sesta nos ramos das árvores, famílias de chitas e, até, fenómeno mais raro, leopardos aos pares (normalmente andam sozinhos, já que são animais solitários). Enfim, enfrentamos a beleza da natureza e ficamos mudos de espanto!

Fotografias? Aos milhares. Mas a Tanzânia não é só isso. Faz parte do nosso “berço”. Na garganta de Olduvai, localizada na Área de Conservação de Ngorongoro, na região de Arusha foram encontrados fósseis de praticamente todos os nossos antepassados - Homo habilis, Paranthropus boisei, Homo erectus e Homo sapiens. A cerca de 45km dali, em Laetoli, foram documentadas as primeiras pegadas do nosso primeiro antepassado que assumiu a posição erecta, talvez o Australopithecus afarensis (a Lucy). Talvez quem visite a Tanzânia no futuro não pense só em vida selvagem. Por ali andaram os que nos precederam.

As fotografias que envio são diferentes: uma Pietà do Serengeti que me visitou às seis da manhã. Bateu-me à porta do quarto para me mostrar o filho. A outra é de uma família de elefantes em marcha calma e descontraída. 

Lourenço Gomes