Gripe: Dignitude paga administração das 50 primeiras vacinas em cada farmácia a maiores de 65 anos

Os protocolos assinados entre autarquias, Associação Dignitude e associações de farmácias prevêem que os municípios suportem 90% e a Dignitude 10%, dos 2,5 euros da administração destas vacinas do SNS nas farmácias. Mas a administração das 50 primeiras será grátis independentemente da adesão dos municípios, porque será a IPPS a suportar o custo.

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Daniel Rocha

A Associação Dignitude, uma instituição particular de solidariedade social da área do medicamento, vai financiar o custo da administração das primeiras 50 vacinas contra a gripe do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nas farmácias do país, em maiores de 65 anos. Para já, a medida abrange, de acordo com a tutela, “75% das farmácias a nível nacional”, garantindo uma cobertura em “cerca de 92% dos concelhos”. O objectivo é “cobrir todo o território”. O valor de 2,5 euros pago pela administração destas vacinas deixa, assim, de estar dependente da adesão dos municípios a um programa criado para o efeito, sendo custeado por aquela instituição, mas apenas nas 50 primeiras doses.

“A primeira parte do programa (50 vacinas em cada farmácia) não pressupõe o pagamento do município ou de qualquer outra entidade pública. O serviço prestado pelas farmácias será suportado pelo fundo da associação Dignitude, com dotações adicionais da ANF [Associação Nacional de Farmácias], AFP [Associação de Farmácias de Portugal] e das próprias farmácias”, explica o Ministério da Saúde, em resposta enviada por escrito ao PÚBLICO.

“Precisamos que as pessoas com menos recursos, com maiores de 65 anos, se vão vacinar e que não vão aos centros de saúde onde há maior aglomeração de pessoas e maior risco de contrair infecção, por causa da pandemia. Esta medida serve para isso, para garantir uma maior cobertura e o montante virá do Fundo de Emergência Abem, criado por causa da covid-19”, disse a representante da Associação Dignitude, Maria de Belém Roseira, ao PÚBLICO. A presidente da Associação de Farmácias de Portugal, Manuela Pacheco, acrescenta: “Serve para haver equidade, pelo menos estas primeiras 50 vacinas há para todas as farmácias.”

Na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia no país, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou que “haverá 200 mil vacinas do Serviço Nacional de Saúde para administração em farmácias comunitárias de todo o país”: “Sublinho, de todo o país”, disse. Estas 200 mil vacinas serão disponibilizadas do lote de dois milhões previstos para o SNS.

“O Governo, numa óptica de alargamento de canais de vacinação, de forma a garantir a maior cobertura e equidade possível, celebrou um acordo com as associações de farmácias e associações de distribuidores, de forma a permitir a vacinação gratuita a partir dos 65 anos. Neste momento, aderiram 75% das farmácias a nível nacional, garantindo uma cobertura em 256 concelhos, cerca de 92% dos concelhos a nível nacional”, informou o governante, acrescentando que, num “contexto de emergência sanitária, trata-se de uma medida inovadora e complexa”, que o Governo acredita que “irá correr bem”.

E acrescentou: “Pretende-se que este seja um programa dinâmico, que vá envolvendo o maior número possível de farmácias, de forma a cobrir todo o território.” As vacinas chegarão faseadamente às farmácias, durante as próximas semanas, sendo que metade das 200 mil já estão a ser distribuídas. Ainda de acordo com a tutela, “serão distribuídas mais vacinas esta semana, esperando-se alcançar um stock total de 1,4 milhões de vacinas distribuídas (entre contingente SNS e privado)”.

Já tinha sido noticiado antes que haveria, pelo menos, 150 mil doses deste lote do SNS para as farmácias administrarem em maiores de 65 anos. O objectivo é aliviar a pressão nos cuidados de saúde primários. Porém, e embora a vacina seja gratuita (suportada pelo Estado), há um custo da administração fixado em 2,5 euros.

Assim, foi criado um programa, envolvendo as associações de farmácias, a Associação Dignitude – IPSS da área da saúde e do medicamento, que reúne farmácias, indústria farmacêutica, outras empresas e particulares – e os municípios interessados, no sentido de serem as autarquias a suportarem aquele valor dos 2,5 euros, com uma comparticipação de 10% da Dignitude. Neste momento, o número de autarquias aderentes já é de 61, mas o número deverá crescer. A presidente da AFP recorda que os municípios que queiram aderir devem fazê-lo até 23 de Outubro. Estes protocolos mantêm-se em vigor, estando o financiamento da Dignitude, além dos 10%, previsto, para já, apenas para as primeiras 50 vacinas que chegarem às farmácias aderentes.

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