65% das crianças com obesidade em Portugal sofrem de bullying escolar

Uma em cada cinco crianças com obesidade em Portugal foi vítima pela primeira vez de um ataque de cyberbullying nas redes sociais durante os meses de confinamento e ensino à distância.

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Paulo Pimenta

Sessenta e cinco por cento das crianças com obesidade em Portugal sofrem de bullying escolar, segundo uma sondagem divulgada esta terça-feira, que aponta para um agravamento da situação devido ao confinamento provocado pela pandemia de covid-19.

A sondagem divulgada a propósito do Dia Mundial do Combate ao Bullying, pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI), indica também que uma em cada cinco crianças com obesidade em Portugal foi vítima pela primeira vez de um ataque de cyberbullying nas redes sociais durante os meses de confinamento e ensino à distância.

Insultos, alcunhas e comentários inapropriados foram os principais actos discriminatórios cometidos contra crianças com excesso de peso na faixa etária entre os 6 e os 14 anos. Os episódios de bullying reportados foram, segundo a sondagem, na maioria realizados por colegas da mesma turma (47%), seguindo-se situações com alunos de outras turmas da escola (40%) e ainda ocorrências com professores ou pessoal não docente (13%).

A maioria dos 512 encarregados de educação inquiridos revelou já ter tido que lidar com pelo menos um episódio de bullying escolar ou preconceito relacionado com o peso da criança, nos últimos dois anos lectivos. A APCOI adianta que a situação foi agravada pela pandemia da covid-19.

Para alertar sobre os efeitos do bullying, da discriminação e do estigma associados à obesidade, a APCOI juntou-se à Coligação Europeia de Associação de Pessoas com Obesidade (ECPO) na campanha “People First #LivingWithObesity”, que inclui o lançamento de um spot de vídeo, infográficos educativos e ainda um webinar ao vivo em simultâneo em todos os países.

“A APCOI aceitou o convite para participar nesta campanha europeia com o objectivo de pôr fim ao sofrimento não só das crianças, mas de todas as pessoas que em qualquer idade podem desenvolver esta doença crónica e não podem continuar a ser vítimas de estigma e de preconceito”, destaca o presidente da APCOI numa nota. Mário Silva sublinha que a mensagem da campanha é simples: “não há pessoas obesas, há pessoas que têm uma doença: obesidade”.

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