PAN assinala “maior capacidade de compromisso” do Governo e inclui mais propostas no OE

Com três deputados eleitos (depois da saída da deputada Cristina Rodrigues) o PAN poderá contribuir para que o Governo fique apenas a cinco votos de viabilizar o OE 2021.

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Inês Sousa Real, do PAN, esteve na mesa de negociações Rui Gaudencio

No final da reunião desta terça-feira com o Governo para a discussão do Orçamento do Estado para 2021, o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) saiu mais optimista do que o habitual. A líder parlamentar Inês Sousa Real assinalou “uma maior capacidade de compromisso do Governo”. A deputada do PAN adianta que o Governo assumiu um compromisso de executar as medidas acordadas para o OE 2020 e que ficaram pendentes, com uma calendarização das medidas, e espera que a redacção final do documento seja diferente da proposta inicialmente entregue pelo ministro das Finanças, João Leão. Mas o partido ainda não decidiu o voto.

“O Governo demonstrou uma maior capacidade de aceitação em algumas matérias nas quais para o PAN eram fundamentais existirem mais avanços”, declarou a deputada, antes de dar exemplos. O PAN espera assim ver inscritas no orçamento mais propostas relacionadas com o bem estar animal, incluindo a duplicação da verba de apoio aos centros de recolha de animais, campanhas de esterilização e hospitais veterinários públicos (de cinco milhões de euros para dez milhões de euros); mas também com propostas de apoio à juventude, tais como a criação do programa Universidade Segura para aumento da vigilância nos pólos universitários e residências de estudantes.

O ambiente também não ficou de fora desta ronda de negociações e Inês Sousa Real assinalou progressos na criação de modelos de produção mais sustentáveis na agricultura. 

Esta segunda-feira, o líder do PAN, André Silva, tinha avisado que o partido “dificilmente” votaria a favor da versão do orçamento entregue pelo ministro das Finanças. Mas o cenário parece ter mudado depois das negociações desta terça-feira.

“Ainda vamos ter mais reuniões. Vamos continuar na mesa de negociações, mas este primeiro passo que foi dado reconhece uma maior capacidade de compromisso do Governo para que este orçamento não tenha apenas a marca do PS”, afirma, atirando algumas propostas para a discussão na especialidade. Até lá, “o caminho continuará a ser traçado” e o PAN "não se demitirá”.

Apesar de assinalar os progressos, o PAN diz que ainda não decidiu o seu voto, que será determinado após um debate interno. “Ainda está tudo em cima da mesa”, garantiu. “Independentemente do nosso sentido de voto, estaremos sempre disponíveis para trabalhar em sede de especialidade”, concluiu.

A comissão política do PAN ainda não está agendada, mas deverá acontecer até ao fim-de-semana.