Opinião
Placebo autoritário
Ainda me lembro de quando António Costa punha água na fervura do pânico, em tempos que ele era alimentado por Marcelo, quando em Belém se dava acolhimento às vozes do pânico – de quem pedia que “se [fechasse[ Portugal”, dos autarcas que insultavam a diretora-geral da Saúde e queriam liberdade para usar drones, controlar munícipes infetados e arvorar-se em generais da Proteção Civil. Costa acabou por não opor-se ao disparate securitário de Marcelo e daquilo que, na altura, eu chamei nestas páginas o “estado de pânico institucionalizado”, perigoso precedente de deixar ao Presidente da República a imposição do estado de emergência, que, mesmo que ratificado pela Assembleia, nunca deve ser usado na ausência de uma evidente ameaça à ordem constitucional democrática.
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