Mais de 1300 presos libertados em acção armada contra prisão na RD Congo

Autoridades responsabilizam as Forças Democráticas Aliadas, grupo que actua no Nordeste do país. Dois presos morreram durante o ataque.

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A prisão de Kangbayi já tinha sido alvo de um ataque semelhante em 2017 EPA/STR

Um ataque coordenado realizado às primeiras horas de terça-feira contra uma cadeia de Beni, na República Democrática do Congo (RD Congo) resultou na libertação de mais de 1300 presos. As autoridades locais responsabilizam um grupo armado que opera há vários anos naquela região.

Dos 1456 detidos da penitenciária de Kangbayi, apenas 110 permaneceram no interior depois do ataque, disse à Reuters o presidente da Câmara de Beni, Modeste Bakwanamaha. O ataque ocorreu por volta das 4h30 (menos uma hora em Portugal continental) e resultou de uma acção coordenada que visou simultaneamente a prisão e as instalações militares que prestam segurança ao local, disse o autarca.

“Infelizmente, os atacantes, que apareceram em grande número, conseguiram destruir a porta com equipamento eléctrico”, descreveu Bakwanamaha, que responsabilizou as Forças Democráticas Aliadas (ADF) pelo ataque.

Pelo menos dois presos foram mortos durante a intervenção e, de acordo com a polícia, mais de 1300 detidos que fugiram. A prisão de Kangbayi tem uma grande população de membros de grupos de guerrilha, incluindo das ADF, diz a Reuters. Nenhuma organização reivindicou o ataque.

Em Junho de 2017, a mesma prisão tinha sido alvo de um ataque idêntico em que mais de mil presos conseguiram fugir.

As ADF são um grupo com origem no vizinho Uganda, mas que tem a sua base de operações no leste do Congo. Apesar de ser um dos grupos rebeldes menos conhecido da grande constelação de organizações armadas que opera na RD Congo, as ADF têm uma presença bastante antiga – foram criadas em 1995 – e têm conseguido sobreviver a inúmeras campanhas militares levadas a cabo pelas Forças Armadas locais.

Desde o início de 2019, são responsáveis por atentados que mataram cerca de mil civis e mais de 500 raptos, de acordo com as Nações Unidas.

Há suspeita de que as ADF tenham começado a actuar em conjunto com milícias islamistas. Vários atentados realizados pelo grupo foram reivindicados pelo Daesh. No entanto, investigações de especialistas da ONU no terreno não encontraram provas que suportassem a tese de uma aliança entre o grupo rebelde e organizações fundamentalistas islâmicas.