João Almeida mostra ousadia e ganha tempo aos rivais no Giro

Nesta quarta-feira não há como evitar um ataque à camisola rosa de João Almeida. O pelotão terá de percorrer três contagens de montanha de primeira categoria, a última das quais a coincidir com final em alto. Dia essencial para o futuro do português neste Giro.

João Almeida no Giro 2020
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João Almeida no Giro 2020 LUSA/LUCA ZENNARO

Quando se esperava que nada se passasse nesta terça-feira, na etapa 16 da Volta a Itália, João Almeida, que poderia ter aproveitado para poupar energia, decidiu surpreender e usar os últimos quilómetros do dia para atacar Wilco Kelderman. O português mostrou força, audácia e ambição tremendas no final da etapa, ganhando mais dois segundos ao grande rival na luta pelo Giro (que está agora a 17 segundos da liderança), antes de um dia muito duro e fulcral na luta pela vitória.

Mais do que os dois segundos ganhos, esta foi uma clara mensagem de Almeida aos rivais. E a forma como Kelderman cedeu pode ser um bom indício para o ciclista das Caldas da Rainha.

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A classificação geral do Giro após a etapa 16

Antes disso, o triunfo na etapa foi para a fuga do dia, grupo inicialmente muito numeroso no qual Jan Tratnik (Bahrain) acabou por ser o mais forte, superando Ben O’Connor (NTT), num duelo final a dois.

A etapa desta terça-feira, depois do dia de descanso e antes de um dia de alta-montanha, começou com a notícia de que Fernando Gaviria (Emirates) está infectado com covid-19. Além de um membro do staff da AG2R, este foi o único teste positivo ao novo coronavírus entre os 492 realizados no pelotão.

Sem Gavaria, esta etapa prometia ser uma autêntica “morte lenta” para os ciclistas. Apesar de não ter nenhuma montanha de primeira categoria, contava com nada mais, nada menos do que seis subidas durante o dia (uma de segunda categoria e cinco de terceira).

Com tantos pontos de montanha para atribuir nos seis topos este era, portanto, o dia ideal para Rúben Guerreiro tentar recuperar a camisola azul, perdida há dois dias. E o português não deixou passar a oportunidade. Atacou logo na primeira escalada do dia e, perseguido por um grupo de 26 corredores, somou a pontuação máxima, seguido do actual camisola azul, Giovanni Visconti.

A segunda montanha sorriu a Visconti, que bateu Guerreiro ao sprint, e a terceira voltou a dar pontuação máxima ao italiano, fruto de um problema mecânico que deixou Guerreiro para trás.

Já de novo no grupo da frente – condenado a lutar pela vitória, rodando já mais de 12 minutos à frente do pelotão –, Guerreiro foi o mais forte na quarta montanha. O português abdicou de lutar pelos pontos das últimas duas escaladas, preferindo, possivelmente, poupar energia para as próximas etapas de montanha.

Na frente da corrida, pouco mais se passou a partir daqui. A vitória final foi discutida entre Tratnik e Ben O’Connor, enquanto o pelotão, mais atrás, seguia tranquilamente em poupança de energia. Mas apenas até João Almeida decidir quebrar a monotonia e surpreendentemente atacar Kelderman, que cedeu alguns metros ao português  bom sinal para o que aí vem?

Nesta quarta-feira não há como evitar um ataque à camisola rosa de João Almeida. O pelotão terá de percorrer três contagens de montanha de primeira categoria, a última das quais a coincidir com final em alto nesta etapa 17. Dia essencial para o futuro do português neste Giro.

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