Covid-19. Declaração médica de alta clínica substitui teste negativo

Pessoas com alta clínica podem voltar à escola ou ao trabalho sem teste negativo. “A evolução clínica é mais relevante que a evolução laboratorial”, disse a directora-geral da Saúde.

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Graça Freitas LUSA/RODRIGO ANTUNES

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, explicou, esta segunda-feira, na conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica do país que a declaração médica de alta clínica é suficiente para doentes assintomáticos ou com sintomas ligeiros de covid-19 regressarem à escola ou ao trabalho. 

Até ao momento, o regresso de pessoas que testaram positivo à covid-19 só era possível com um teste negativo, mas com a actualização da norma da Direcção-Geral da Saúde (DGS) que reduz o período de isolamento destes doentes para 10 dias, a realização de teste deixa de ser necessária.

Segundo a norma da DGS publicada na quarta-feira, o fim das medidas de isolamento, sem necessidade de realização de teste ao novo coronavírus, dos doentes assintomáticos ou dos que têm doença ligeira ou moderada ocorre ao fim de 10 dias, desde que, não apresentem febre e que, nos casos com sintomas, estejam sem usar antipiréticos durante três dias consecutivos e com “melhoria significativa”. Após estes dez dias e com estas condições “considera-se que não estão a infectar outras”. “A evolução clínica é mais relevante que a evolução laboratorial para determinar se um indivíduo se mantém ou não se mantém infeccioso”, esclareceu.

Graça Freitas tem vindo a frisar que este período de isolamento reduzido diz respeito somente às pessoas que tiveram doença ligeira ou mesmo assintomáticos que testaram positivo, diferenciando isolamento de quarentena (que diz respeito a quem teve contactos de risco, mas não testou positivo, período que se mantém por 14 dias).

Os dados mais recentes apontam para uma capacidade reduzida de transmissão do novo coronavírus ao fim de um determinado período de tempo nos casos de doença ligeira ou assintomática. “Já se sabia que isso provavelmente se devia a partículas virais que ficavam no seu trato respiratório superior, mas que essas partículas virais não tinham capacidade de infectar outras pessoas”, explicou, sublinhando que isto acontece a partir do oitavo dia e até ao décimo dia.

Deste modo, será o médico assistente que passará a declaração para o doente poder voltar à escola ou ao trabalho, correspondendo ao fim do isolamento. Tal já acontece com muitas outras doenças, como é o caso da gripe, exemplo usado por Graça Freitas na conferência de imprensa.

A DGS sublinha ainda que no caso de profissionais de saúde ou prestadores de cuidados de elevada proximidade, de doentes que vão ser admitidos em lares ou unidades de cuidados continuados ou paliativos ou doentes que vão ser transferidos nas unidades hospitalares para áreas não dedicadas, será preciso sempre um teste negativo para que o isolamento seja considerado completo.

A directora-geral da Saúde referiu ainda que estas pessoas, com alta clínica, entrarão “para [o número dos] recuperados” por covid-19.

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