Em tempo de negociações orçamentais, Bloco consegue crescer nas sondagens

PS, PSD, Bloco, Chega e Iniciativa Liberal ganharam pontos desde Setembro. CDU e CDS perderam. PAN e Livre continuam na mesma.

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Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda Nuno Ferreira Santos

O Bloco de Esquerda atinge, no barómetro da Intercampus publicado nesta segunda-feira, o melhor resultado desde as eleições legislativas de Outubro de 2019. Com 11% das intenções de voto, os bloquistas reforçam a terceira posição (tinham 9,9% há um mês e 8,5% em Agosto) e aumentam a distância face ao quarto lugar, ocupado pelo Chega, que subiu 0,3 pontos, passando de 7,4% em Setembro para 7,7% agora. A CDU é a coligação (PCP-PEV) que mais perde, descendo de 5,1% para 4,3% num mês. 

O estudo de opinião feito para o Jornal de Negócios e o Correio da Manhã mostra ainda as subidas mais ligeiras do PS, do PSD e da Iniciativa Liberal, que recolhem 37,5% (+0,1), 24,8% (+0,5) e 2,4% (+0,3) das intenções de voto. Do lado das descidas, além da CDU, está também o CDS, que perde 0,2 pontos, situando-se agora nos 4,1%, empatado com o PAN. Inalterados mantêm-se os resultados do PAN e do Livre (0,4%).

O crescimento do Bloco, que é o maior de todos, acontece num período marcado pelas negociações orçamentais, durante as quais os bloquistas tomaram uma posição de força nas exigências feitas ao Governo, provocando uma resposta ríspida por parte dos socialistas. João Paulo Correia, vice-presidente da bancada do PS, acusou Catarina Martins de mentir oito vezes, e Duarte Cordeiro, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, lembrou que, matematicamente, o Governo nem precisa do Bloco para viabilizar o Orçamento do Estado para 2021.

Os dados do barómetro mostram que a postura do Bloco parece ter contribuído para que o partido granjeasse algumas simpatias, ao contrário do que sugeriu Marques Mendes no seu último comentário televisivo. No domingo, o ex-líder do PSD disse que este OE “foi feito para ser viabilizado à esquerda” e “tudo aponta para que sejam o PCP e o PAN a viabilizá-lo”, sendo “o Bloco a maior incógnita”. Mendes defendeu que, se votar agora contra, o Bloco não vai voltar atrás no próximo ano, mas deixou um aviso aos bloquistas sobre o preço a pagar pelo partido “por votar ao lado da direita um orçamento com este pendor social”. 

O estudo de opinião da Intercampus incluiu 601 entrevistas telefónicas (62,9% de taxa de resposta) e o trabalho de campo decorreu entre os dias 6 e 11 de Outubro, imediatamente antes de o Orçamento do Estado para 2021 ter sido entregue por João Leão na Assembleia da República. O erro máximo de amostragem, para um intervalo de confiança de 95%, é cerca de 4%.

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