China continua a crescer: economia avançou 4,9% no terceiro trimestre

Segunda economia mundial acelera crescimento, depois de um tombo de 6,8% nos três primeiros meses do ano e de uma variação positiva de 3,2% no segundo trimestre.

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As vendas a retalho recuperaram de forma mais lenta do que outros sectores LUSA/WU HONG

Em plena pandemia, a China conseguiu registar um crescimento económico de 4,9% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2019, mostram dados divulgados nesta segunda-feira pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês.

A segunda maior economia mundial tinha caído 6,8% nos três primeiros meses do ano (em termos homólogos) e começado a recuperar entre Abril e Junho, com um crescimento de 3,2% nesses meses, em que o país já estava a reabrir e a retomar a produção nas fábricas.

O crescimento que se seguiu no terceiro trimestre representa uma recuperação, mesmo tendo ficado abaixo das expectativas dos economistas (analistas ouvidos pela Bloomberg apontavam para uma variação positiva de 5,5%).

O aumento robusto das exportações e o investimento na indústria explicam a trajectória do terceiro trimestre, disse ao South China Morning Post, jornal sediado em Hong Kong, o economista-chefe da Oxford Economics, Louis Kuijs. A empresa de análise económica também estava a contar com um crescimento mais alto, de 5,3%. O resultado oficial explica-se pelo facto de o investimento em infra-estruturas e os níveis de investimento das empresas e de consumo não terem sido tão expressivos.

A China foi o primeiro foco de transmissão do novo coronavírus — identificado em Wuhan no final de Dezembro de 2019 — e, com os efeitos do confinamento, o país registou no início deste ano a primeira contracção económica oficial desde o fim da Revolução Cultural de 1976; mas, na altura em que outras regiões globais tiveram de adoptar medidas de confinamento apertadas, a China foi o primeiro país a conseguir levantar as restrições.

A procura mundial por máscaras, ventiladores e outros equipamentos médicos permitiram à China registar uma melhoria nas encomendas e nas exportações, impulsionando a produção nas fábricas.

A produção industrial cresceu 6,9% em Setembro, conseguindo recuperar, com esse salto, para a mesma taxa de crescimento que apresentava em Dezembro do ano passado, antes de ser conhecido o surto do novo coronavírus, nota o Financial Times.

Ao jornal britânico, um analista de mercado do JPMorgan Asset Management, Chaoping Zhu, disse que as “actividades económicas internas deverão normalizar-se ainda mais nos próximos trimestres”, sendo expectável que o consumo se torne o principal factor impulsionador quando a confiança dos consumidores melhorar. De resto, as vendas a retalho tiveram uma primeira expansão em Agosto, recuperando de forma mais lenta do que outros sectores, sublinha o South China Morning Post.

O desempenho económico chinês contrasta com o que se passa neste momento noutras regiões globais que continuam a fazer face à propagação do novo coronavírus, como é o caso da Europa, onde, para a zona euro, o Fundo Monetário Internacional aponta para uma queda anual do PIB de 8,3%.

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