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Entrevista

“Marcelo está do lado certo das coisas”

Convidado a olhar para este mandato do Presidente da República, Paulo Portas separou logo o trigo do joio: uma coisa era a forma, o estilo, o gesto; a outra, o fundo. E aí, não há dúvidas, Marcelo Rebelo de Sousa cumpriu os seus deveres para com a pátria; a direita que não se queixe e abra os olhos. A análise de Portas nunca disfarçou, porém, a quase empolgada insistência com que escolheu a dedo os melhores argumentos de defesa da acção presidencial. Mas ficou um alerta: Marcelo vai precisar de “muita sabedoria” para gerir o segundo mandato.

Nunca ninguém pintou um retrato tão favoravelmente impressivo de Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da República como este que aqui fica. O pintor é talentoso. Chama-se Paulo Portas, e o retrato tinha intenção e trazia recado: as palavras foram eloquentemente escolhidas num exercício que o pintor quis “racional”, ignorando a “espuma dos dias”. Apesar da irrecusável — brilhante? — mestria do traço, surpreendi-me ao vê-lo recusar as perplexidades e discordâncias que expus, as dúvidas quanto a este ou aquele traço do retratado, a própria evolução da tela. Nada disso lhe interessou, a pintura era sua: “Há dúvidas e reservas legítimas, mas há que introduzir racionalidade numa discussão que frequentemente é só de estilo ou de forma.”