Crónica

Alerta para as cigarras: pensem é no agora

Os tempos de hoje estão a preparar que não se gastem ventiladores com velhos, e que a democracia é coisa descartável.

 A rua onde nasci chamava-se, não sei porquê, nem a troco de quem, Rua Vereador Prazeres. Era de terra batida, na Luanda que, então, ainda se podia dizer que entrava pelo sertão fora. A uma esquina tinha a padaria Lafonense, da terra dos donos, os irmãos Marques, terras de Lafões, Portugal, Beiras, Europa. Do outro lado da esquina era um barracão cercado de muro alto, o Cine-Colonial. A minha rua era, é, um livro aberto. A toponímia da cidade iria perder nomes gloriosos, Silva Porto, Dom João II, Dom Afonso Henriques, mas guarda ainda hoje o do humilde vereador Prazeres. Há aqui uma lição qualquer.