Catarina Martins desvaloriza declarações “destemperadas” e centra-se na vontade de negociar

Tal como PCP e PAN, o Bloco tem agendada para terça-feira uma reunião com o Governo. A ideia é continuar a conversar para salvar o orçamento na generalidade.

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Catarina Martins em Santa Maria, nos Açores LUSA/ANDRÉ KOSTERS

Nem mesmo o que Catarina Martins classifica de declarações “destemperadas” do PS vai impedir o Bloco de Esquerda de continuar a conversar com o Governo sobre Orçamento do Estado (OE) para 2021. O próximo encontro está marcado para terça-feira, dia 20, cinco dias antes de o Bloco tomar a decisão, em reunião de mesa nacional, sobre o sentido de voto dos seus 19 deputados.

Neste sábado, nos Açores, a coordenadora do Bloco de Esquerda deixou claro que a viabilização do Orçamento na generalidade, no que diz respeito ao BE, está do lado do executivo. "O Governo sabe que sim”, disse Catarina Martins. “O Governo conhece as prioridades do Bloco: conter a vaga de despedimentos, apoiar as vítimas da crise, ter um serviço nacional de saúde que responda e ter critérios de transparência na forma como os dinheiros públicos são usados.” A bloquista acrescentou um desabafo, em jeito de reacção à entrevista que António Costa deu ao PÚBLICO e na qual o primeiro-ministro disse que o limite para um acordo orçamental é o bom senso: "Isto é absoluta sensatez.”

Catarina Martins visitou neste sábado o Centro de Controlo Oceânico da NAV Portugal, na ilha de Santa Maria, e respondeu também às “declarações destemperadas” do PS, notando que depois delas se abriu uma porta para continuar a negociar. "O Governo, compreendendo que não tinham nenhum sentido, marcou as reuniões, que nós já estamos, aliás, à espera e disponíveis há bastante tempo”, disse, sem concretizar as acusações de que foi alvo, por parte do deputado socialista João Paulo Correia, de acordo com o qual a coordenadora bloquista mentiu oito vezes.

Ainda sobre o Orçamento, Catarina Martins disse que “olhando para as letras miudinhas”, dá para ver que o que “está anunciado não terá repercussão nenhuma na vida das pessoas e não responde às necessidades do país”.

“O que precisamos não é de um OE que faz anúncios mais ou menos iguais aos anúncios do Orçamento passado. O que precisamos é de um OE que responda mesmo por um ano muito duro de crise com muita responsabilidade. E para isso é preciso a protecção social para acudir às vitimas da crise. E é preciso que o SNS tenha os profissionais [de que necessita]”, defendeu a bloquista.

A Assembleia da República começa a debater a proposta de OE 2021 no dia 27 de Outubro e a votação na generalidade está marcada para o dia seguinte.

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