Coimas aplicadas pelo BdP disparam para 14,3 milhões no terceiro trimestre

Dois dos processos decididos estão relacionados com infracções relativas à prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo.

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LUSA/MÁRIO CRUZ

O Banco de Portugal (BdP) abriu 36 processos de contra-ordenação e proferiu decisão em 31 processos no terceiro trimestre deste ano, que resultaram na aplicação de coimas no montante de 14,3 milhões de euros, muito acima dos valores aplicados no primeiro semestre. Os dados foram revelados esta sexta-feira pelo supervisor.

De acordo com a informação divulgada, dos 31 processos decididos, alguns deles abertos no âmbito da supervisão comportamental, 13 respeitam a infracções de natureza comportamental, nove ao incumprimento de regras em matéria de recirculação de numerário e seis de natureza prudencial.

Nas contra-ordenações decididas, duas dizem respeitam a infracções a deveres relativos à prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo e uma a infracções relacionadas com actividade financeira ilícita. 

Dos 14,3 milhões de coimas aplicadas, cerca de cinco estão suspensos na sua execução, devido a recurso dos visados

O valor de coimas aplicadas entre Julho e Setembro não tem paralelo com os dois trimestres anteriores. No primeiro trimestre foram decididos 75 processos, resultando em coimas perto 1,7 milhões de euros. Nos três meses seguintes, em 41 decisões, o montante das coimas ficou em 631 mil euros.

O aumento das coimas pode ser explicado, pelo menos em parte, por novas sanções aplicadas a antigos gestores do Banco Espírito Santo (BES), mas a identidade dos visados não é revelada pelo BdP. Apesar disso, o Expresso noticiou em Setembro que a instituição agora liderada por Mário Centeno terá aplicado novas coimas a Ricardo Salgado, no montante de 4 milhões, a Amílcar Morais Pires, em 3,5 milhões, e a José Manuel Espírito Santo, de 1,25 milhões.