Escritora best-seller Eva García Sáenz de Urturi vence Prémio Planeta

Um thriller medieval intitulado Aquitânia deu o prémio literário de maior valor pecuniário em Espanha a Eva García Sáenz de Urturi, a autora de O Silêncio da Cidade Branca, editado em Portugal pela Lua de Papel.

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LUSA/Andreu Dalmau

A escritora espanhola Eva García Sáenz de Urturi, autora best-seller no seu país, venceu a edição deste ano do Prémio Planeta, com um thriller medieval intitulado Aquitânia, enquanto a escritora Sandra Barneda foi distinguida como finalista.

O anúncio foi feito na quinta-feira, em Barcelona, pelo Grupo Planeta, criador do prémio de maior valor pecuniário em Espanha, que na sua 69.ª edição, em plena pandemia, decidiu jogar pelo seguro e apostar em valores seguros: nomes dos meios de comunicação social, best-sellers e, se possível, autores da casa, segundo noticiou o El País.

Isso mesmo se verificou com as duas autoras premiadas, escolhidas de entre 582 candidatos ao prémio.

A vencedora, Eva García Sáenz de Urturi, autora de romances policiais e conhecida pelo sucesso da Trilogía de la ciudad blanca ("Trilogia da cidade branca") cujo primeiro volume O Silêncio da Cidade Branca, está editado em Portugal pela Lua de Papel, decidiu misturar o thriller que marca aquela saga policial, com romance histórico do século XII, em Aquitânia, o que lhe valeu o prémio de 601 mil euros.

Como finalista, foi escolhida Sandra Barneda, apresentadora de televisão, com o romance Un océano para llegar a ti, uma história emocional de desentendimentos entre um pai e uma filha que lutam para os ultrapassar, e que deu à autora um prémio de 150.250 euros.

Eva García Sáenz de Urturi, de 48 anos, foi durante anos optometrista, mas a paixão pela literatura impeliu-a a escrever e a tentar lançar o seu primeiro romance, La Saga de los Longevos, que foi rejeitado por várias editoras.

A escritora acabou por publicá-lo numa edição de autor, que se tornaria um sucesso na Amazon. Este foi o primeiro passo para o reconhecimento de uma autora, cuja obra rapidamente chegaria aos Estados Unidos e ao Reino Unido.

Em 2014 publicou um segundo livro, Los Hijos de Adán, e ainda o romance histórico Pasaje a Tahiti, e em 2016, após ter ingressado na Academia da Polícia para conhecer melhor as investigações criminais, publicou O Silêncio da Cidade Branca, único livro da autora publicado em Portugal.

Este thriller, ambientado na sua cidade natal (Vitoria, na província basca de Álava) tornou-se um enorme sucesso de crítica e vendas e está actualmente a ser adaptado ao cinema.

A cerimónia de proclamação dos vencedores realizou-se num formato diferente do habitual, no Palau de la Música Catalana, com um número muito reduzido de participantes, entre os quais se contaram a vice-presidente do Governo, Carmen Calvo, a presidente da Câmara de Barcelona, Ada Colau, e o presidente do Grupo Planeta, José Creuheras.

O júri foi composto por José Manuel Blecua, Fernando Delgado, Juan Eslava Galán, Pere Gimferrer, Carmen Posadas, Rosa Regàs e Belén López.

No ano passado, o vencedor e o finalista do prémio foram Javier Cercas, com Terra Alta (publicado este mês em Portugal pela Porto Editora) e Manuel Vilas, com E, de repente, a alegria (publicado em Maio pela Alfaguara), uma premiação que surpreendeu pela escolha de dois nomes considerados pesos pesados da narrativa espanhola contemporânea.

Isto porque, nos últimos anos, o Prémio Planeta tem estado arredado de figuras consagradas no meio puramente literário, premiando autores do âmbito do romance comercial, género a que voltou na edição deste ano.

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