Rui Gaudêncio
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Rui Gaudêncio

Universidade do Porto alarga testes serológicos a estudantes de licenciatura e mestrado integrado

Depois dos trabalhadores e dos alunos inscritos em cursos ligados ao ensaio clínico, o ISPUP vai fazer rastreios serológicos aos estudantes de licenciatura e mestrado integrado da Universidade do Porto. Teste consiste numa picada no dedo que avalia se há anticorpos para o novo coronavírus.

Desde a última segunda-feira, 12 de Outubro, que todos os estudantes de licenciatura e mestrado integrado da Universidade do Porto (UP) podem fazer um rastreio serológico para avaliar a presença de anticorpos associados ao SARS-CoV-2. 

A primeira fase do rastreio, entre Junho e Julho, tinha abrangido os trabalhadores docentes e não docentes da instituição, totalizando cerca de quatro mil testes. De seguida, foram testados os estudantes inscritos em cursos ligados ao ensino clínico. Agora, o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), líder do estudo epidemiológico, abre portas a mais elementos da comunidade académica.

A realização do teste é gratuita, no entanto está sujeita a agendamento prévio — que deve ser feito através da página Sigarra do interessado. Os testes decorrem no edifício histórico do ICBAS, no Largo Abel Salazar, entre as 9 e as 18h45, de todos os dias úteis. 

Segundo informação dada pela reitoria ao P3, os testes serológicos estarão também disponíveis a estudantes de mestrado e doutoramento numa fase posterior — assim que terminarem os rastreios feitos com o grupo de alunos de licenciatura e mestrado integrado.

O teste é feito a partir de uma picada no dedo e posterior análise do sangue — o suficiente para perceber se há anticorpos para o novo coronavírus. O resultado é conseguido em cerca de dez minutos e permite detectar também se, em caso de resposta afirmativa, a infecção é recente ou antiga. Além do teste, é também feito um breve inquérito epidemiológico para auferir a possibilidade de contacto com casos suspeitos ou confirmados de covid-19

Os testes são conduzidos por médicos, enfermeiros e técnicos do ISPUP e os resultados são confidenciais, sendo apenas comunicados ao estudante. 

Os resultados da primeira fase do rastreio indicaram que apenas 32 dos testados (0,9%) terão apresentado “anticorpos da classe IgG (...), os mais importantes para avaliar uma possível — ainda que não comprovada — imunidade ao novo coronavírus”, lê-se na página da U.Porto. 

No início do projecto, António Sousa Pereira, reitor da UP, explicou, citado no mesmo site, que a intenção dos testes era “tirar uma fotografia da população” naquele momento e ir “repetindo essa fotografia ao longo do ano, para perceber como é que a comunidade evoluiu e se foi adquirindo imunidade ao vírus”. Ainda assim, importa realçar que a evidência científica actual não permite afirmar que a existência de anticorpos garanta uma imunidade efectiva ou duradoura. Mais ainda, os testes serológicos podem dar resultados falsos positivos e falsos negativos.

A UP não é a única instituição a realizar estes testes: também a Universidade de Évora testou trabalhadores docentes e não docentes e anunciou, em Agosto, o alargamento do rastreio a todos os estudantes a partir do início do ano lectivo 2020/2021. A Universidade Nova de Lisboa realizou também, em Julho, 1645 testes serológicos a alunos e trabalhadores da instituição. Desses, apenas foram detectados anticorpos em 48 pessoas. 

Na última semana, foram contabilizados 80 casos de estudantes Erasmus na U.Porto e 24 no Instituto Politécnico do Porto com covid-19. Na Universidade de Aveiro há 72 casos activos. 

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