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Colónias de corais em recuperação na Grande Barreira de Coral da Austrália, em Outubro de 2019
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Lucas Jackson/Reuters

O número de corais na Grande Barreira de Coral caiu para metade

Metade dos corais da Grande Barreira da Austrália morreram nos últimos 25 anos, revela um novo estudo. É mais um alerta: o aquecimento global está a perturbar de forma irreversível este importante ecossistema subaquático.

O número de corais na Grande Barreira de Coral, na Austrália, diminuiu mais de 50% desde 1995, alerta um estudo do Centro de Excelência para o Estudo dos Recifes de Coral (CoralCoE), uma entidade australiana que em 2018 já tinha alertado para o desaparecimento dos corais de superfície. O aquecimento global está a perturbar de forma irreversível este ecossistema subaquático, alertam agora num estudo publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society.

Andreas Dietzel, do CoralCoE e o autor principal do estudo, salienta que, ainda que existam muitos estudos ao longo dos séculos sobre mudanças na estrutura das populações humanas, ou das árvores, não há informação equivalente sobre as mudanças nas populações de corais. “Medimos as mudanças de tamanho das colónias porque os estudos populacionais são importantes para compreender a demografia e a capacidade de reprodução dos corais”, justificou.

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Por isso, a equipa do CoralCoE avaliou as comunidades de coral e o tamanho das suas colónias ao longo da extensão da Grande Barreira de Coral, entre 1995 e 2017. E concluiu que há um esgotamento das populações de coral.

De acordo com Terry Hughes, um dos maiores especialistas em corais do mundo, o declínio aconteceu tanto em águas pouco profundas como em águas mais profundas e “em praticamente todas as espécies,” mas “especialmente nas ramificações e nos corais em forma de mesa”.

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Coral branqueado na Grande Barreira de Coral DR

“Estes foram os mais afectados pelas temperaturas recordes que levaram ao branqueamento em massa ocorrido em 2016 e 2017”, disse o investigador. O fenómeno de branqueamento de corais (que acontece quando estes estão doentes ou que já estão mortos) já tinha sido constatado há dois anos pelo CoralCoE. “Eles [corais] estão 80 ou 90% desaparecidos há 25 anos”, disse à Agência France Presse (AFP) o professor da Universidade James Cook e um dos autores do estudo.

As ramificações e os corais em forma de mesa fornecem estruturas importantes para os habitantes dos recifes, como os peixes. A perda destes corais significa uma perda de habitat e por consequência uma diminuição da quantidade de peixe, o que também afecta a pesca, dizem os autores do estudo.

“Os nossos resultados mostram que a capacidade de recuperação da Grande Barreira de Coral — a sua resiliência — está comprometida em comparação com o passado, porque há menos bebés, e menos adultos reprodutores de grande porte”, disse Andreas Dietzel, explicando que uma “população de coral vibrante” tem milhões de pequenos corais bem como as suas “mães”, os grandes corais.

“Costumávamos pensar que a Grande Barreira de Coral estava protegida devido ao seu tamanho, mas os resultados mostram que mesmo o maior e relativamente bem protegido sistema de corais do mundo está comprometido e em declínio”, avisou Terry Hughes.

Além do seu valor inestimável do ponto de vista natural ou científico, estima-se que o recife de coral, que se estende por 2.300 quilómetros de extensão, gere quatro mil milhões de dólares em receitas para o sector turístico australiano. 

A Grande Barreira pode perder o seu estatuto de Património Mundial devido à sua degradação, que se deve em grande parte à recorrência de episódios de branqueamento de corais, que é consequência das alterações climáticas.

O branqueamento é um fenómeno de desgaste que resulta em descoloração. É causado pelo aumento da temperatura da água, que provoca a expulsão das algas simbióticas que dão ao coral a sua cor e os seus nutrientes. Os recifes podem recuperar se a água esfriar, mas também podem morrer se o fenómeno persistir.

A Grande Barreira de Corais da Austrália também é ameaçada pelo escoamento agrícola, pelo desenvolvimento económico e por uma espécie de estrela-do-mar que se alimenta de corais. “Agora, as hipóteses de haver décadas entre o sexto, o sétimo e o oitavo episódios de branqueamento são quase zero, à medida que as temperaturas continuam subindo”, acrescentou.

Os autores do estudo explicam que as alterações climáticas estão a provocar um aumento da frequência de perturbações nos recifes, como ondas de calor marinhas, e deixam um alerta: “Não há tempo a perder, temos de reduzir drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa o mais rapidamente possível”.

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