Ruínas de Machu Picchu reabrem para um único turista

O ícone inca encerrou um dia antes da data marcada no bilhete de Jesse Katayama devido à covid-19. O japonês decidiu esperar, e esperar, no sopé da montanha peruana. Quase sete meses depois, Machu Picchu reabriu só para ele.

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O governo peruano decidiu reabrir o sítio arqueológico de Machu Picchu apenas para receber um único turista: Jesse Katayama​. O japonês tinha viajado até ao Peru para cumprir o sonho de visitar as icónicas ruínas incas mas, tal como milhares de viajantes em todo o mundo, foi apanhado de surpresa pela pandemia.

Um dia antes da data marcada no bilhete de entrada de Katayama em Machu Picchu, o governo peruano declarou o estado de emergência no país e as visitas ao sítio arqueológico foram encerradas. O japonês de 26 anos, professor de boxe em Osaka, tinha planeado ficar apenas uns dias no Peru, antes de seguir viagem por outros países da América do Sul.

Com o encerramento das fronteiras e um surto a enclausurar o planeta, Katayama decidiu ficar na cidade de Aguas Calientes, localizada no sopé da cordilheira, na expectativa de vir a visitar o sítio arqueológico. “Vou correr todas as manhãs e consegui ver Machu Picchu à distância”, conta à CNN. “Pensei que nunca chegaria a visitar, porque esperava que não reabrisse ainda este ano. Mas estava bem com isso, porque me diverti muito aqui.”

No entanto, 210 dias depois e com a ajuda de uma empresa de turismo local, Andean Roots Peru, Katayama apresentou um pedido especial ao governo, que acabou por ser aceite. “Ele veio ao Peru com o sonho de poder entrar”, declarava o ministro da Cultura, Alejandro Neyra, esta segunda-feira, de acordo com a agência Reuters. “O cidadão japonês entrou com o chefe do parque [em Machu Picchu] para que possa fazer isto antes de regressar ao seu país.”

Quase sete meses depois, Katayama acabou por tornar-se o primeiro turista a visitar a cidadela construída há mais de 500 anos e ter o monumento arqueológico quase só para si. “Isto é tão incrível. Obrigado”, diz num vídeo gravado no topo da montanha, entre as ruínas incas.

Ao longo dos últimos meses, acabou por fazer amigos na cidade e até a dar aulas de boxe a algumas crianças locais, conta a Andean Roots Peru numa publicação no Facebook. À CNN confessa que irá “definitivamente chorar” no dia das despedidas a Aguas Calientes. “Estes sete meses têm sido muito especiais para mim. Descobri uma nova parte de mim mesmo.” A data de regresso ao Japão já está marcada: 16 de Outubro.

Até ao momento, o Peru declarou mais de 33 mil mortes relacionadas com o coronavírus, apresentando a maior taxa de mortalidade per capita do mundo devido à covid-19. Os voos internacionais foram retomados recentemente, mas apenas para sete países latino-americanos (Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Panamá, Paraguai e Uruguai), apesar de o país se manter em estado de emergência.

A 15 de Outubro, reabrem ao público sete sítios arqueológicos no país (Sacsayhuamán, Pisac, Ollantaytambo, Chinchero, Moray, Pikillacta e Tipón), mas Macchu Picchu ainda permanecerá encerrado. De acordo com o ministro da Cultura peruano, deverá reabrir ao público em Novembro, sem especificar uma data concreta, e apenas com 30% da capacidade habitual, cerca de 675 pessoas por dia. “Ainda estamos no meio de uma pandemia”, relembrou. “Será feito com todo o cuidado necessário.”

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