IADE de portas fechadas enquanto amianto é retirado do edifício

Aulas na faculdade da Universidade Europeia, em Lisboa, só começam na próxima segunda-feira e serão todas à distância, enquanto decorrem os trabalhos no edifício da Avenida D. Carlos I.

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O edifício do IADE em Lisboa Guilherme Marques

O IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia, em Lisboa, ainda não iniciou o ano lectivo e o edifício em que funciona está a ser alvo de trabalhos de remoção de amianto, cuja presença foi comunicada à instituição no final de Julho. Por causa disso, o acesso ao edifício está proibido e as aulas, que deverão arrancar na segunda-feira, têm sido, por enquanto, todas feitas à distância e com recurso a plataformas digitais.

O edifício onde funciona a faculdade com cerca de 2500 alunos não pertence à Universidade Europeia e, segundo um esclarecimento da instituição enviado ao PÚBLICO, terá sido o proprietário do prédio e informar o IADE, no final de Julho, da presença de “vestígios de amianto detectados em algumas zonas e estruturas do edifício inutilizadas há vários anos”. O aviso levou à suspensão de “todas as actividades lectivas e não lectivas presenciais” e à colocação de todos os trabalhadores em teletrabalho, explica a assessoria de imprensa da instituição. 

Foi então solicitada à Autoridade para as Condições do Trabalho a aprovação para se avançar com a “remoção dos vestígios” em causa, acrescenta a mesma fonte, precisando que a autorização para avançar com os trabalhos que ainda decorrem chegou “nos últimos dias de Agosto”.

Como medidas adicionais foi “tomada a decisão de interdição de entrada nas instalações enquanto decorrem as obras” e foram contratados “serviços especializados de medicina no trabalho e de consultoria especializada, tendo sido assegurado que nem os trabalhadores nem os estudantes incorreram em qualquer risco”.

Apesar deste processo em curso, a Universidade Europeia não confirma que o atraso no arranque do ano lectivo no IADE esteja relacionado com o amianto, afirmando que o mesmo se deve ao facto “de ter sido adiada a publicação dos exames nacionais”. Mas assume que a decisão de avançar, por enquanto, com aulas exclusivamente à distância, se prende com as obras em curso no edifício da Avenida D. Carlos I, em Lisboa. “Por precaução, as actividades presenciais apenas serão retomadas no edifício após a conclusão dos trabalhos em curso, a realização de uma inspecção minuciosa ao edifício e o desenvolvimento de análises ao ar, por entidades independentes e especializadas, por forma a garantir a segurança de toda a comunidade académica, que foi devidamente informada do processo em curso”, informa a Universidade. 

O amianto é um material tóxico e cancerígeno, estando em curso um plano para o retirar de 578 escolas

Em 2010, foi noticiado que as autoridades de saúde pública estavam a investigar se existiria algum problema com o sistema de ventilação do IADE, por causa do que se considerava ser um número invulgar de mortes por cancro entre os funcionários da instituição: 11, em quatro anos. Além destes casos mortais existiam vários outros casos de problemas oncológicos e respiratórios entre aqueles que trabalhavam no edifício.