Oeiras é a Capital Europeia da Cultura Gastronómica 2020-2021

Em Novembro o município recebe o Congresso dos Cozinheiros e em Dezembro organizará um congresso internacional sobre gastronomia e alimentação.

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Miguel Manso

O município de Oeiras apresentou-se esta sexta-feira como Capital Europeia da Cultura Gastronómica 2020-2021 e anunciou uma série de eventos nacionais e internacionais, que começam já no próximo mês de Novembro com o Congresso dos Cozinheiros (de 10 a 12 e que terá como foco principal a saúde mental) e em Dezembro com a organização de um congresso internacional em torno do tema “Do Campo e do Mar para a Mesa”.

Ao mesmo tempo, a Câmara de Oeiras assinou um protocolo com a Comunidade Europeia da Cultura Gastronómica, cuja sede será instalada num espaço disponibilizado para o efeito no Palácio do Marquês de Pombal. A Comunidade, fundada pelo português José Bento dos Santos, da Academia Internacional de Gastronomia, e pelo espanhol Rafael Anson, presidente da Real Academia de Gastronomia de Espanha, detém a marca Capital Europeia da Cultura Gastronómica, cuja primeira edição aconteceu em 2019 em Cracóvia. 

No horizonte está ainda a criação de um Observatório Nacional de Gastronomia e a candidatura a sede do Observatório Europeu de Gastronomia, cuja criação foi já aprovada pelo Parlamento Europeu. Para isso, Oeiras conta com o apoio declarado da Comunidade Europeia da Cultura Gastronómica e está a trabalhar para reunir outros apoios a nível europeu.

Jorge Barreto Xavier, director municipal da Educação, Desenvolvimento Social e Cultura e comissário da candidatura de Oeiras a Capital Europeia da Cultura 2027, explicou à Fugas que as iniciativas ligadas à gastronomia agora anunciadas integram-se numa estratégia mais vasta de fazer do município um ponto de referência na cultura – assumindo, naturalmente, como cultura a alimentação e os temas a ela ligados.

“Tudo isto faz parte de um ciclo de dinâmicas que nos levam à candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027, que vamos apresentar em Novembro”, disse Barreto Xavier, numa breve conversa no final de um almoço no Palácio Marquês de Pombal. “É um ciclo de desenvolvimento para o concelho e as políticas para a gastronomia fazem parte dele.” Está já a trabalhar no projecto uma equipa que integra o antigo director do festival Peixe em Lisboa, Duarte Calvão. 

Para além do Congresso dos Cozinheiros, que, como sempre desde há 15 anos é promovido e concebido por Paulo Amado e pelas Edições do Gosto, Oeiras irá organizar, em Dezembro o congresso internacional que, devido à pandemia de covid-19, terá que ser online. A ideia é partir de quatro S ligados à comida – sustentável, saudável, saborosa e solidária – e discutir “com chefs, responsáveis políticos, representantes da área da distribuição e da academia” as políticas para a gastronomia no contexto europeu.

Para 2021 estão previstas outras acções, entre as quais, adiantou Barreto Xavier, um encontro das cidades situadas em estuários e que trabalham a questão da gastronomia. O município quer também levar este trabalho até às escolas, apostando na “educação para a alimentação”, assim como na “qualificação do comércio local”, com acções de sensibilização para “os modos de apresentar os produtos, a sustentabilidade, a qualidade”.

Outros temas a explorar serão a relação com as hortas urbanas ou, num olhar mais alargado, “as dinâmicas da circulação dos alimentos”, nomeadamente o papel de Portugal, no passado, na forma como “alimentos de todo o mundo chegaram ao continente europeu”.

Oeiras estabeleceu já uma parceria com a Universidade Nova de Lisboa, que irá, no município, “desenvolver projectos de formação na área da gastronomia e da sustentabilidade, num conjunto de programas com vários graus de formação”, ainda a definir em detalhe.

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