Só três estádios portugueses podem estar no Mundial 2030

Candidatura conjunta com Espanha replica aquela que tentou organizar a competição de 2018, ganha pela Rússia.

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O Estádio da Luz é o recinto português com maior lotação Reuters/POOL

Uma cidade, três estádios, 13 selecções e 18 jogos. Assim foi o primeiro Mundial de futebol em 1930, realizado e conquistado pelo Uruguai, um torneio por convite e que obrigou as quatro selecções europeias participantes (França, Jugoslávia, Bélgica e Roménia) a uma travessia de duas semanas pelo Atlântico. Daqui a dez anos será o Mundial do centenário, que será um “animal” muito diferente do que era em 1930, com quase o quádruplo de participantes (48) e um número de estádios que não será inferior a 16 para receber 80 jogos.

É um Mundial nestes moldes que Portugal e Espanha se candidatam a receber em 2030, e para o qual já têm concorrência africana (Marrocos), europeia (Bulgária, Grécia, Roménia e Sérvia) e sul-americana (Uruguai, Chile, Argentina e Paraguai), sendo expectável que haja uma candidatura conjunta de Reino Unido e Irlanda, e que a proposta marroquina seja também alargada a outros países do norte de África, como a Argélia e a Tunísia. A decisão sobre o organizador do torneio só será tomada em 2024.

A proposta das ilhas britânicas chegou a merecer, em 2018, o apoio do presidente da UEFA Aleksander Ceferin, que só quer uma candidatura europeia ao Mundial de 2030. Impedidos de se candidatarem a 2030 estão os países asiáticos (porque o Mundial 2022 será no Qatar) e os países da CONCACAF (porque o Mundial 2026 será uma organização conjunta entre Canadá, EUA e México).

Ainda pouco se sabe sobre esta co-produção ibérica para 2030. A única informação que parece certa e que tem sido amplamente divulgada pela imprensa espanhola é que a final será no Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid, cujo processo de renovação está em curso e deverá estar concluído em 2022 – a proposta de 2018 também apontava o recinto “merengue” como palco da final, e entregava o jogo de abertura a Barcelona e ao Camp Nou.

A proposta ibérica de 2018 que perdeu para a Rússia tinha um predomínio espanhol em termos de estádios propostos – dos 21, dos quais seriam seleccionados 12, apenas três ficavam em Portugal, Luz, Alvalade e Dragão – e, sendo esta uma proposta desenhada para receber um torneio com 32 selecções, o caderno de encargos da FIFA não é muito diferente no que diz respeito à capacidade dos estádios.

48 selecções a caminho do Mundial

Tomando como exemplo o guia de candidatura para o Mundial 2026, o primeiro com 48 selecções, a FIFA estabelece 40 mil espectadores como o limite mínimo de um estádio para receber jogos da fase de grupos, dos 16 avos-de-final, dos “oitavos”, dos “quartos” e o jogo de atribuição do terceiro lugar. As meias-finais têm de acontecer em estádios com capacidade mínima de 60 mil espectadores, enquanto o jogo de abertura e a final “exigem” recintos com um mínimo de 80 mil lugares.

Nestas condições, apenas três estádios portugueses podem entrar na candidatura: Luz, que tem capacidade para 65 mil pessoas, pode receber até às meias-finais; Dragão e Alvalade, ambos com capacidade para 50 mil, podem receber até aos quartos-de-final.

Nenhum dos outros estádios feitos para o Euro 2004 tem, actualmente, capacidade para ser palco de um jogo do Mundial 2030 – nenhum deles ultrapassa os 30 mil lugares. Por isso, para haver maior presença portuguesa nas cidades-sede do torneio, terá de haver obras de expansão de alguns desses estádios ou, eventualmente, a construção de novos recintos, o que não está previsto, pelo menos do lado português.

Ainda de acordo com as directivas da FIFA para 2026, só o Bernabéu (capacidade actual de 81 mil) e o Camp Nou (que tem um projecto de expansão para 105 mil lugares) é que têm capacidade para receber o jogo de abertura e a final. Da forma como estão, mais sete estádios espanhóis cumprem a capacidade mínima da FIFA para receberem jogos do Mundial: Wanda Metropolitano (Madrid, 68 mil), Benito Villamarín (Sevilha, 59 mil), San Mamés (Bilbau, 53 mil), Mestalla (Valência, 48 mil), Sánchez Pizjuan (Sevilha, 44 mil), Cornellà-El Prat (Barcelona, 40 mil) e Anoeta (San Sebastian, 40 mil).

Esta é a segunda vez que os vizinhos ibéricos apresentam uma candidatura conjunta a um Mundial de futebol, depois de o terem feito para o Mundial 2018, que ficaria nas mãos da Rússia, num processo que nunca escapou às suspeitas de corrupção tal como a atribuição do Mundial 2022 ao Qatar – a candidatura ibérica ficou em segundo na votação final do comité executivo da FIFA a 2 de Dezembro de 2010, com sete votos, enquanto a proposta russa recolheu 13 votos.

Antes de 2030, o Mundial de 2026 irá ser o primeiro a realizar-se com 48 selecções e organizado por três países diferentes. Estão previstas 16 cidades-sede, dez nos EUA, três no Canadá e três no México. Esta proposta americana tem cinco estádios com capacidade para receber a abertura e a final: Rose Bowl (Los Angeles, 92 mil), Azteca (Cidade do México, 87 mil), MetLife (Nova Jérsia, 82 mil), FedExField (Washington, 82 mil) e AT&T (Arlington, 80 mil).