Movijovem assegura que já há estudantes a viver em pousadas

Entidade que gere as pousadas da juventude desmente a notícia do Jornal de Notícias e garante ao P3 que já há quartos ocupados por estudantes universitários em pousadas, nomeadamente em Melgaço, Bragança, Viana do Castelo, Idanha-a-Nova, Abrantes, Castelo Branco, Évora e Portimão.

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Adriano Miranda

A Movijovem, entidade que gere as pousadas da juventude, garantiu esta quarta-feira, 7 de Outubro, que já há estudantes universitários a viver em pousadas, fruto do acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES). A entidade disse ao P3 que pelo menos a Pousada da Juventude de Melgaço, que apoia os alunos do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), já atingiu a sua capacidade máxima de 18 camas disponíveis.

Neste momento, o número exacto de estudantes a residir em pousadas ainda não é conhecido, mas a Movijovem assegura que está a fazer esse levantamento e os dados deverão ser disponibilizados em breve.

A informação vem desmentir a notícia avançada pelo Jornal de Notícias desta quarta-feira, que aponta que as pousadas não têm nenhum quarto ocupado por estudantes. “[O JN] Ligou-nos há oito dias, quando os protocolos foram assinados e quando as pousadas ainda não tinham recebido ninguém”, disse ao P3 fonte da Movijovem.

A instituição, que também gere o Cartão Jovem e os passes Intra_Rail (em parceria com a CP – Comboios de Portugal), recebeu nesse espaço de oito dias estudantes nas pousadas de Melgaço, que estudam no IPVC, e de Bragança, que frequentam o instituto politécnico desse concelho. Em Viana do Castelo, Idanha-a-Nova, Abrantes, Castelo Branco, Évora e Portimão também há estudantes que já entraram ou que vão entrar no decorrer desta semana. E “há interesse para entrar” em muitas mais.

A Movijovem fez ainda a ressalva de que os contactos para alojar estudantes nas pousadas “estão a ser feitos por instituições de ensino superior mais pequenas, que estão a demonstrar uma maior dinâmica para resolver este problema”.

Conforme foi acordado com o Governo, das 4500 camas disponibilizadas por estabelecimentos de alojamento local e pousadas, 512 camas (cerca de 11%) estão em pousadas da juventude. Ainda assim, é um número que poderá ser reduzido devido a “condicionantes relacionadas com orientações sanitárias”, as mesmas orientações que limitaram este ano o número de camas disponíveis em residências.

Existem ainda protocolos assinados com o Governo para disponibilizar camas nas pousadas de Beja, Faro, Guimarães, Oeiras, Ponte de Lima, Porto e Vila Nova de Cerveira. Existem ainda protocolos pendentes com mais pousadas, como Aveiro e Viseu; já as pousadas de Lisboa “continuam ao serviço do combate à covid-19, com pessoas em isolamento e a abrigar cidadãos em situação de ​sem-abrigo”.

Pousadas mais do que duplicaram camas disponíveis

As 512 camas disponíveis este ano, espalhadas por 23 pousadas, são um aumento considerável em relação ao ano passado. No ano lectivo anterior, a Movijovem disponibilizou cerca de 200 camas – dessas, 72 foram ocupadas por estudantes universidades.

Este é o segundo ano de um acordo entre o MCTES e as pousadas da juventude. “Quisemos estar no programa pois é nossa missão apoiar o alojamento de estudantes e a emancipação dos jovens portugueses”, afirmou ao P3 a mesma fonte.

Além disso, a Movijovem também pratica preços mais baixos do que o “limiar máximo ao estabelecido” pelo MCTES, entre os 160 euros e os 215 euros (sendo que este preço máximo é apenas aplicado em quartos duplos com casa de banho privativa).

A prioridade é alojar os estudantes bolseiros. “Estamos solidários com os estudantes e o momento que as famílias estão a atravessar. Queremos contribuir para a missão nacional e garantir que os estudantes de todo o país continuem a ter acesso ao ensino superior e que não vai ser a falta de residências que vai impedir pessoas de concretizar os seus sonhos”, afirmou a Movijovem.

Já os não bolseiros também pagarão por mês um valor “inferior ao limiar máximo” definido por concelho, mas os “quartos só ficam disponíveis para os não bolseiros depois de os bolseiros ficarem alojados”.