O (ab)uso da linguagem e os casos da jornada

O facto de termos estádios sem público tornou mais audível nas transmissões televisivas todas as comunicações efectuadas, quer entre os jogadores de campo, quer por parte dos bancos de suplentes, e, nesse sentido, a tal linguagem que se banalizou como sendo própria do futebol passou a ser tema de conversa e análise, pois as injúrias, as ofensas e as palavras grosseiras, que são penalizadas de acordo com a lei 12 (faltas e incorrecções) com cartão vermelho, sobretudo quando são dirigidas aos intervenientes do jogo, e particularmente às equipas de arbitragem, têm-se traduzido num aumento de sanções disciplinares nestas três primeiras jornadas.

Que não se vulgarize este tipo de linguagem, pois também é possível fazer-se críticas e passar mensagens com elevação, com linguagem correcta, pois no futebol também há espaço para a educação e para as pessoas de bem. Posto isto, vamos à análise dos casos de jogo mais relevantes.

FC Porto-Marítimo

Minuto 12, golo bem anulado a Correa, por fora-de-jogo de 9 cm.

Minuto 17, Alex Telles tem o braço nas costas de Rodrigo Pinho, mas não o agarra, empurra, puxa ou carrega, pelo que não houve motivo para penálti.

Minuto 24, golo bem validado a Rodrigo Pinho, não havendo posição irregular, neste caso por 22 cm. 

Minuto 42, o golo portista, obtido por Pepe, foi irregular: há claramente falta atacante, cometida por Danilo, que com o seu braço direito empurra e faz cair Zainadine. Esta acção retirou ao jogador insular a possibilidade de interceptar a bola.

Minuto 70, a bola não passou totalmente a linha de baliza. Relembro que conta, não a base da bola em contacto com o solo, mas a face redonda da mesma, que, ao projectar-se no solo, tem de estar totalmente para lá da linha.

Minuto 78, Edgar Costa faz um tackle deslizante e toca claramente na bola, promovendo de seguida um contacto normal com Manafá: não houve motivo para penálti.

Minuto 86, penálti incorrectamente assinalado a favor do FC Porto. O defesa madeirense chega primeiro à bola e é Marega que posteriormente pontapeia o pé do seu adversário. Na execução do penálti, Amir defende, mas deveria ter havido intervenção do videoárbitro (VAR), no sentido de mandar repetir o mesmo. A lei 14 (o pontapé de penálti) prevê que o guarda-redes deve ter, pelo menos, parte de um dos pés a tocar ou alinhado com a linha de baliza, o que não aconteceu. 

Antes da execução, Amir estava dentro da baliza, ou seja, com ambos os pés atrás da linha de baliza, o que também não é permitido, pois deve permanecer com os pés sobre a linha de baliza, podendo movimentar-se ao longo da mesma.

Benfica-Farense

Correcta a intervenção VAR para indicar que Otamendi cometeu infracção para pontapé de penálti, quando de forma negligente falhou a sua entrada à bola e pisou e derrubou Stojiljkovic.

Minuto 52, Ryan Gauld executou o penálti, Vlachodimos defendeu, a bola sobrou para Luca que, na recarga, fez golo. O VAR verificou que o jogador do Farense tinha entrado na área antes da execução e, se fosse ele o único a cometer esta infracção, o jogo teria de recomeçar com pontapé livre a favor do Benfica no local onde ele entrou na área. Mas como, simultaneamente, houve jogadores “encarnados” a pisar a linha limite da área (as linhas fazem parte das áreas que delimitam) o VAR deu indicação para a repetição do pontapé de penálti, ou seja, a repetição tem a ver com a infracção cometida por ambas as equipas, pois se fosse só do Farense seria livre indirecto.

É importante relembrar que o VAR pode intervir na execução dos pontapés de penálti, apenas quando o jogador que cometer infracção toca na bola ou tira partido dessa irregularidade.

Minuto 59, golo anulado ao Farense por fora-de-jogo (56 cm) de Ryan Gauld.

Portimonense-Sporting

Houve pequenas falhas disciplinares. Fali Candé deveria ter sido advertido (minuto 31) por ter acertado com o braço, de forma negligente, na cara de Pedro Porro, da mesma forma que Gonçalo Inácio deveria ter sido advertido (minuto 75) por, de forma negligente, ter pontapeado o seu adversário à entrada da área leonina.

Ao minuto 80, foi anulado um golo ao Sporting: Coates, ao elevar-se para cabecear, apoiou o seu braço direito no ombro de Dener, impedindo desta forma o jogador algarvio de poder disputar a bola. Uma infracção atacante bem assinalada. Apenas um senão neste lance: o árbitro apitou a infracção de imediato e com a bola ainda na sua trajectória e antes de entrar na baliza, o que inviabilizava uma posterior intervenção VAR para corrigir uma eventual decisão errada.