Como está a ser tratado Donald Trump? Cinco respostas sobre o tratamento do Presidente

As preocupações em relação ao estado de saúde de Donald Trump aumentaram. O Presidente tem 74 anos, é considerado obeso e a sua dieta tem sido escrutinada ao longo dos anos. Já defendeu o uso de hidroxicloroquina e tomou-a preventivamente. Agora que está internado, como é que está a ser tratado?

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Trump viajou de helicóptero da Casa Branca até ao hospital militar onde está a ser tratado LUSA/JIM LO SCALZO

O dia de sexta-feira foi uma roleta russa de notícias em relação à saúde de Donald Trump. No início do dia, e depois de meses a desvalorizar o impacto da pandemia, ficou a saber-se que o Presidente dos Estados Unidos estava infectado com o novo coronavírus, assim como a primeira-dama, Melania Trump, e uma hoste de outras pessoas próximas do Presidente e da sua administração.

Menos de 24 horas depois, durante a noite, a Casa Branca anunciou que Trump seria hospitalizado num hospital militar por precaução e tratado com um cocktail experimental de anticorpos sintéticos, além de tomar aspirina, zinco, vitamina D e melatonina.

Trump, que tem 74 anos e mais de cem quilos, pertence ao grupo de risco da covid-19.

Em que consiste o cocktail experimental que Trump está a tomar?

A Casa Branca e o principal especialista norte-americano em doenças infecciosas, o imunologista Anthony Fauci, dizem que o tratamento dado ao Presidente americano é promissor.

Segundo a agência Reuters, o tratamento com anticorpos sintéticos consiste em utilizar anticorpos criados em laboratório, a partir de anticorpos que foram desenvolvidos por pessoas infectadas pelo vírus. Estes anticorpos sintéticos são injectados e podem combater o vírus imediatamente.

Apesar de ser pouco utilizado como tratamento experimental para a covid-19, é um tipo de tratamento utilizado para outras doenças. O cocktail de anticorpos foi desenvolvido pela Regeneron Pharmaceuticals, uma empresa de biotecnologia americana. Segundo a empresa, o tratamento tem sido bem-sucedido em infectados não hospitalizados e não tem apresentado efeitos secundários.

Para quê tantos medicamentos?

A saúde de Trump, não só por ser Presidente dos Estados Unidos (ainda por cima, a um mês de eleições presidenciais), mas também por ser uma pessoa com uma idade já avançada, é uma grande preocupação. Além do tratamento experimental, o líder americano está a ser tratado com uma série de medicamentos para aprimorar as suas defesas.

Segundo médico do Presidente, Sean Conley, Donald Trump está a tomar vitamina D e zinco mineral para melhorar o sistema imunitário; famotidina, como tratamento experimental (segundo o site do Infarmed, tem como uso comum tratar úlceras e diminuir a quantidade de ácido no estômago); melatonina, para ajudar o sono e o repouso; e aspirina, para a febre.

Além disso, na sexta-feira, Sean Conley garantiu que o Presidente não precisa de apoio respiratório e que irá iniciar o tratamento com Remdesivir, que foi aprovado pela entidade reguladora do mercado farmacêutico dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), para tratar a covid-19.

E a hidroxicloroquina que Trump estava a tomar?

Em Maio, depois de defender a hidroxicloroquina como um tratamento viável para a covid-19 – contra recomendações dos seus médicos, especialistas, conselheiros e a Organização Mundial de Saúde (OMS) – Trump informou que estava a tomar o controverso medicamento por prevenção.

Não há relatos ou indicações de que Donald Trump continue a ser tratado com hidroxicloroquina, mas é verdade que o Presidente deixou de mencionar o medicamento. Entretanto, a FDA também desaprovou o seu uso.

O que acontece se Trump piorar?

Trump, para já, não necessita de apoio respiratório. Mas tendo em conta a sua idade e peso, não seria de estranhar que o Presidente dos Estados Unidos desenvolvesse sintomas mais fortes que obrigassem a renovados e mais intensos cuidados.

O Remdesivir já é usado como um medicamento para pessoas hospitalizadas; além disso, a FDA também aprovou o uso de plasma convalescente, recolhido a partir de pacientes recuperados da covid-19.

Segundo a Reuters, também pode ser usado dexametasona, um medicamento corticosteróide que foi aprovado pela Agência Europeia do Medicamento para tratar doentes com covid-19 que necessitem de suporte ventilatório.

No entanto, o uso de dexametasona é recomendado apenas para casos mais raros, pois pode prejudicar o sistema imunitário de pessoas com sintomas leves.

E se Trump não conseguir recuperar e desempenhar as suas funções?

Aí, a história ganha outros contornos políticos, especialmente a um mês das eleições presenciais. A resposta imediata seria a subida de ranking de Mike Pence, vice-presidente americano.

No caso de uma eventual morte de Donald Trump, Trump teria de ser substituído na Casa Branca e nos boletins – algo difícil de prever, já que já milhões de boletins já foram impressos, enviados e submetidos por correio.