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Daniel Rocha

Dura e terna é a cidade de André Cepeda

No MAAT, André Cepeda mostra-nos a cidade que explorou, qual estrangeiro, durante três anos. Cidade feita de ruas, estradas, passagens, paredes, pessoas. Cidade terna e dura, abstracta e concreta, irreconhecível e íntima, a cores e a preto e banco. Ballad of Today é o retrato que ficou de uma deriva existencial e chã, junto das coisas, a fazer da fotografia coisa húmida, orgânica. Neste tempo que é o nosso.

“Tentámos criar uma cidade aqui dentro, há edifícios, caminhos”, diz Urs Stahel enquanto atravessa Ballad of Today, exposição que desvela três anos de vida e de trabalho de André Cepeda (Coimbra, 1976). Minutos antes, o curador contemplara, numa das paredes do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), fotografias de pessoas, sós, a caminhar na estrada, a descer ladeiras, a percorrer trilhos. E, num conjunto de três retratos, dois homens, ambos de costas, e uma mulher, de frente, rosto jovem e digno. Gente que André Cepeda encontrou, viu e trouxe para o museu. Esta formulação no passado não é supérflua. Entre 2017 e 2019, o artista percorreu os arrabaldes da cidade — que reconhecemos e nos escapa — e, dessa experiência, produziu Ballad of Today, projecto em que convergem modos de fazer e de ver e que contou com a colaboração do curador, também escritor, ensaísta, professor e consultor suíço.