Pedro Nuno Santos diz que quem decide o candidato do PS é o partido e não o Governo

Ministro só confirmará se apoia Ana Gomes na reunião da comissão nacional, mas faz a defesa de candidata e pede aos militantes que não se deixem confundir.

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas
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Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas LUSA/JOSÉ SENA GOULÃO

O ministro das Infra-estruturas defendeu esta quarta-feira que quem escolhe o candidato que o PS vai apoiar nas eleições presidenciais é o partido e não o Governo ou os ministros.

“Quem decide quem o PS apoia são os órgãos do partido. Ponto. Não é o Governo, não é nenhum membro do Governo, é mesmo o Partido Socialista que decide quem apoia ou deixa de apoiar”, atirou Pedro Nuno Santos, em declarações aos jornalistas, não escondendo que estava a responder directamente às recentes declarações de Augusto Santos Silva.

“Eu tinha dito que, no exercício das minhas funções ministeriais, não comentaria presidenciais, mas não quero ser o único e, da mesma forma que o meu camarada Augusto Santos Silva sentiu essa necessidade, eu queria apenas dizer cinco coisas sobre isso”, começou por dizer o ex-líder da Federação Distrital de Aveiro do PS.

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, disse, na segunda-feira, em entrevista à TVI, que Ana Gomes não é uma boa candidata para o PS, revelando inclinação pelo apoio ao actual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa.

Embora não tenha declarado ainda que vai apoiar a candidatura de Ana Gomes – deixando essa confirmação para a reunião da comissão nacional do PS agendada para dia 24 de Outubro –, Pedro Nuno Santos fez a defesa do apoio dos socialistas à antiga eurodeputada.

“As pessoas não servem para o PS fazer umas coisas de vez em quando – para serem eurodeputadas, candidatas à câmara municipal, membros do secretariado nacional – e depois, de um momento para o outro, passarem a ser vilipendiadas, porque não nos dá jeito”, criticou.

Para o ministro, os militantes do PS não aceitam a desvalorização das presidenciais, nem esquecem os ideais socialistas. “Eu sou socialista e a acho que os socialistas não se devem confundir. As eleições presidenciais são um momento muito importante na vida da democracia portuguesa, não são um momento qualquer. São um momento dos mais importantes, estamos a falar da figura mais importante do Estado português. E nós somos socialistas, temos uma determinada visão do mundo, da sociedade e do país, e eu gostava que nenhum socialista se confundisse”, defendeu também.

Pedro Nuno Santos argumentou ainda que o PS não tem qualquer obrigação de apoiar Marcelo Rebelo de Sousa. “Não se apoiar um presidente da República em exercício não significa desconsideração, desrespeito, deslealdade. Nós vivemos numa democracia madura e era só o que faltava que os políticos ficassem chateados uns com os outros porque não tiveram o apoio deste ou daquele. A democracia é mesmo assim.”

Ainda sem referir o nome, o governante destacou a coragem de Ana Gomes e a sua luta contra a corrupção. “Não podemos confundir extremismo com coragem. Extremismo é uma coisa, coragem de dizer as coisas como elas são, de as afrontar, é outra completamente diferente. Cá eu gosto de gente, homens ou mulheres, com coragem e que nunca se enganem sobre ao lado de quem têm de estar. Ao lado do povo, dos trabalhadores, das famílias.”

A concluir, Pedro Nuno Santos reconheceu que as declarações que fez, em Sines, “não enganam” quanto ao seu apoio e sentido de voto nas presidenciais.

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