Três anos depois, Convento de Jesus em Setúbal reabre a visitas

Abandonado, fechado várias vezes por causa da degradação e risco de ruína, o convento, monumento nacional, reabre ao público a 10 de Outubro. Foi aqui que foi ratificado o Tratado de Tordesilhas que dividiu o mundo.

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Convento de Jesus Cm setúbal

O Convento de Jesus, em Setúbal, reabre ao público no dia 10 de Outubro, depois de um longo período de abandono e de ter estado fechado várias vezes nas últimas décadas, devido à degradação e ao risco de ruína.

A Câmara de Setúbal assumiu a liderança do processo de requalificação do Convento de Jesus após a assinatura de um protocolo com a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo (DRCLVT), em Janeiro de 2012, o que permitiu lançar o concurso público e adjudicar a empreitada da primeira fase das obras de recuperação e valorização, concluídas em 2015.  

As primeiras empreitadas de reabilitação e estabilização do edifício permitiram reabrir o Convento de Jesus em 20 de Junho de 2015, 23 anos após ter sido encerrado. Mas dois anos depois, em 24 de Outubro de 2017, o imóvel fechou outra vez as portas devido ao arranque da segunda fase dos trabalhos, que incluíram a recuperação da zona dos claustros, sala do capítulo, coro alto e espaço envolvente do convento.

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Para a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, a importância histórica do monumento justifica o empenho do município e os seis milhões de euros já investidos na requalificação, que, embora não esteja ainda concluída, já permite a reabertura ao público no próximo mês de Outubro.

“As infra-estruturas mais importantes, as águas, os telhados, foi tudo feito na primeira fase. Nesta segunda fase foi feita a reabilitação da sala do capítulo, da ala norte, partes da igreja e todas as arcadas (claustros)”, disse Maria das Dores Meira, em declarações à agência Lusa durante uma visita ao principal monumento da cidade de Setúbal.

“Na parte frontal do convento, havia um pátio onde a nossa juventude se deliciava com os skates. Foi construído um novo parque de skate para a juventude noutro local da cidade e nós repusemos ali um bonito jardim em frente ao convento, para as pessoas desfrutarem deste monumento e terem ali também momentos de lazer. E na parte de trás foi reabilitada toda a cerca pequena e todo o hornaveque do convento”, acrescentou.

Segundo Maria das Dores Meira, a recuperação do Convento de Jesus tem sido um “processo longo”, que começou em 2002 com os esforços do município junto do Ministério da Cultura, da Direcção-Geral do Património e de outras entidades, uma vez que se trata de um Monumento Nacional, da responsabilidade da administração central e não da Câmara Municipal.

A autarca comunista, que está cumprir o terceiro e último mandato como presidente da Câmara de Setúbal, recordou que o entendimento com a administração central só foi possível há cerca de 10 anos e que a “saga da recuperação do Convento de Jesus" começou a ser concretizada em 2013. A autarquia, sublinhou, teve de se substituir à administração central, assumindo a comparticipação nacional (50%) de uma candidatura a fundos comunitários para a requalificação.

“Quando o Estado português teve de concretizar a candidatura em 2013, não havia dinheiro. Há um recuo do Estado português em relação a este edifício. E é a Câmara Municipal de Setúbal, com os impostos dos setubalenses, que vem dizer na altura: então nós vamos pagar essa comparticipação nacional”, disse.

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 Maria das Dores Meira referiu ainda que, depois de concluídas as primeiras duas fases de reabilitação, está já adjudicada, por 2,2 milhões de euros, uma terceira etapa, para a recuperação do que ainda falta nas alas norte e nascente do convento.

Para uma quarta fase fica a construção de um depósito para o espólio arqueológico, pinturas e arte sacra do Museu de Setúbal, instalado no convento. 

O Convento de Jesus foi o palco escolhido para a ratificação, em 1494, do Tratado de Tordesilhas, com que Portugal e Espanha dividiram o mundo. Acolheu as freiras de um ramo da Ordem Franciscana até 1888, e, posteriormente, albergou o antigo Hospital do Espírito Santo até 1959.

Construído no final do século XV, em terrenos cedidos à Coroa por um particular, o convento, classificado como Monumento Nacional em 1910, acolhe desde o início da década de 60 do século XX as instalações do Museu de Setúbal, acervo com diversas colecções artísticas, arqueológicas, históricas e documentais de elevado valor, algumas com dimensão internacional.

A Igreja do Convento de Jesus, projectada pelo arquitecto Boitaca e considerada uma jóia da arquitectura portuguesa, ensaia as especificidades da arquitectura manuelina que se lhe seguiria, particularmente no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa

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