PSD apoiará Marcelo e Rio “ficará na bancada à espera do jogo” do OE

Sociais-democratas apoiam recandidatura de Marcelo a Belém. Sobre Orçamento do Estado, Rio lembra que PS não conta com o PSD

Conselho nacional do PSD realizou-se no Algarve
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Conselho nacional do PSD realizou-se no Algarve LUSA/LUÍS FORRA

A recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa ainda não é uma certeza, mas o actual Presidente da República já sabe que contará com apoio oficial do PSD. A decisão foi tomada na noite de sexta-feira, numa votação do conselho nacional dos sociais-democratas, em Olhão, Algarve. O apoio ao ex-líder do PSD foi aprovado com 61 votos a favor e nove abstenções. Numa votação feita de braço no ar, mas à porta fechada, ninguém levantou a mão contra o apoio à recandidatura de Marcelo. 

Há cinco anos, sob a liderança de Pedro Passos Coelho, o PSD (e o CDS-PP) fez apenas uma “recomendação de voto” à candidatura do professor de Direito e ex-líder social-democrata. Agora, na recta final do primeiro mandato de Marcelo, o PSD de Rui Rio foi mais taxativo. Ainda que na moção distribuída aos militantes se tenham reconhecido as divergências registadas entre Marcelo Rebelo de Sousa e o PSD, Rio defendeu que Marcelo é “o candidato de que o país precisa neste momento” e o único que garante estabilidade. 

E foi justamente de estabilidade que Marcelo falou quando defendeu que o Orçamento de Estado para 2021 (OE 20201) deve ser aprovado com um acordo à esquerda. O Presidente da República já repetiu que não deseja uma crise política e que, na eventualidade de o PS e dos seus antigos parceiros não se entenderem, a oposição não deve faltar à que entende ser a sua responsabilidade. Apesar de considerar que “o bloco central nem é uma solução duradoura nem é uma boa solução para o equilíbrio do sistema político português”, o Presidente da República lembrou que quando era líder da oposição ajudou a viabilizar três orçamentos de António Guterres. 

Em resposta a Marcelo, o líder do PSD sacudiu responsabilidades. “Se o senhor Presidente da República disse que deve haver Orçamento do Estado e não deve haver uma crise, a pressão não é para mim, é para a solução encontrada: PCP, BE, PS ou PS só com um”, disse Rui Rio, à entrada do conselho nacional. O líder do PSD deixou claro que estará “na bancada à espera que o jogo se inicie”, quando o Governo entregar o OE 2021, e lembrou a preferência assumida pelo primeiro-ministro. “O líder do PS, neste caso também primeiro-ministro, foi muito claro, quando disse que no dia que precisasse do PSD para aprovar o OE o seu Governo deixa de fazer sentido”, recordou. 

BE disponível, PCP recusa pressões

Já este sábado, a líder do BE estendeu a mão a António Costa e garantiu que “se o PS as quiser construir à esquerda, não precisará de negociar com Rui Rio” e afirmou que não cabe ao Presidente da República encontrar soluções para a aprovação do Orçamento. “É o Parlamento o lugar para encontrar soluções, não é o Presidente da República que determina quais são as soluções que são encontradas”, disse Catarina Martins. 

Mas o primeiro-ministro não recebeu a mesma mensagem do lado dos comunistas. Jerónimo de Sousa afirmou-se “surpreendido” com o recado de Marcelo e vincou que o PCP não responde às vontades do Presidente da República, mas dos trabalhadores. “Compreenderá que fico um pouco surpreendido com essas declarações, num quadro em que não existe ainda proposta de Orçamento. Isso significa o quê? Que querem que se assine de cruz sem conhecer o seu conteúdo?”, perguntou.

Sobre a sua posição em relação ao OE 2021, o líder comunista lembra que o partido não apresentou linhas vermelhas e afasta tentativas de pressão.”Não vale a pena tentarem qualquer chantagem sobre o PCP”, avisou. Sobre a disponibilidade do Bloco de Esquerda para aprovar o próximo orçamento, Jerónimo de Sousa disse que “o Bloco é livre de ter as opções que quiser, mesmo não conhecendo a proposta de Orçamento do Estado”, e insistiu que o PCP “não subscreve algo que ainda não conhece.

Por sua vez, o presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, afirmou que “um Orçamento que é cozinhado pela esquerda não pode ser servido pela direita”, dando a entender que não deverá votar favoravelmente o documento, mas remetendo a opinião oficial do partido para quando o OE 2021 for conhecido.

Sobre presidenciais, o líder do CDS garantiu que o partido não ficará sem candidato, ainda que aguarde com expectativa a decisão de Marcelo que, lembrou, “foi eleito com o apoio da direita”. com Lusa