Corona e Oliveira, um duo que voltou a trazer felicidade ao FC Porto

Os “dragões” passaram no duelo frente ao Boavista e não deixaram o Benfica fugir no topo da Liga portuguesa.

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Marega e Gómez em duelo LUSA/MANUEL FERNANDO ARAUJO

Este sábado é um bom dia para repisar o famoso jargão futebolístico que fala de “um jogo com duas partes distintas”. O FC Porto venceu o derby portuense frente ao Boavista, por esclarecedores 0-5, mas o jogo pareceu estar “encalhado” para os “dragões”, depois de uma primeira parte muito dura e pouco conseguida.

Mas tudo mudou na segunda, por vários factores: “dedo” claro de Sérgio Conceição, incapacidade física boavisteira, a magia habitual de Jesús Corona e nova participação decisiva de Sérgio Oliveira (um golo e uma assistência). E assim se fez uma goleada que não foi fácil, mas que chegou com aparente facilidade.

A primeira parte trouxe um derby à boa moda do Porto. Como habitualmente, o jogo entre os rivais portuenses foi muito físico – por vezes até com alguma dureza, também fruto do relvado molhado pela chuva – e nenhuma das equipas conseguiu ser propriamente ameaçadora.

O FC Porto enviou uma bola ao poste aos 12’, é certo – Rami errou com bola e Uribe finalizou com demasiada pontaria –, mas pouco mais conseguiu criar em zonas próximas da baliza. Os disparos foram, essencialmente, de fora da área, quase sempre pelo influente Sérgio Oliveira. E a insistência na meia distância permite explicar por que motivo os portistas foram incapazes de criar mais e melhor: falta de presença na zona próxima de Marega.

Otávio e Corona voltaram a surgir nos corredores, mas, ao contrário do que aconteceu frente ao Sp. Braga, não foram tão assíduos a explorar a zona central, entre linhas. E fez falta que o terceiro médio fosse mais como Otávio e não tanto como Uribe. Faltava criatividade aos portistas, que habitualmente optam pela profundidade quando o jogo entre linhas não flui – e, na primeira parte, pouca profundidade houve, com a linha defensiva do Boavista bastante baixa.

Não se pense, porém, que os “axadrezados” estiveram remetidos à defesa. Não estiveram. O bloco era baixo, sem bola, mas, em posse, a equipa de Vasco Seabra mostrou capacidade para sair a jogar. Por pouco que isto tenha significado em matéria de remates obrigou o FC Porto a correr e lutar para recuperar a bola. E houve mais luta do que boas jogadas.

Mas, no início da segunda parte, tudo mudou. E parece ter havido “dedo” de Conceição. Depois de mais um erro do Boavista na saída de bola, Corona “descolou” do corredor direito e surgiu na zona central, onde tantas vezes fez a diferença na época passada e onde provavelmente o treinador o quis mais vezes durante o jogo.

E, servido por Otávio, Corona recebeu com o pé esquerdo – o mais “fraco” –, rodou e rematou para o golo, com a biqueira da bota. E Corona é também isto: além de capaz a jogar entre linhas e em espaços curtos, o mexicano é um puro ambidestro, deixando sempre os defensores confusos sobre a forma como devem posicionar-se defensivamente.

Logo aos 59’, num livre directo, Sérgio Oliveira beneficiou de um desvio em Javi Garcia e fez o 0-2, marcando o segundo golo em duas jornadas. O jogo não se resolveu “por magia”, já que os pés de Corona e Sérgio Oliveira sabem o que fazem, mas o certo é que, apesar da vantagem de dois golos, o FC Porto esteve longe de se mostrar capaz na criação de jogo ofensivo.

A partir daqui o jogo deixou de ter as amarras tácticas vistas até então e, com o Boavista em busca do prejuízo – e visivelmente menos fresco e capaz sem bola –, o FC Porto beneficiou do espaço para transições.

Foi assim que chegou ao 0-3, aos 67’, quando Sérgio Oliveira se voltou a mostrar decisivo, com uma grande assistência para Marega – o maliano pôde, pela primeira vez, explorar a profundidade.

Aos 71’, foi mostrado ao país um lance de bola parada trabalhado entre as paredes do Olival. Grande livre estudado do FC Porto, com Sérgio Oliveira, Otávio e Corona, ao primeiro toque, a “inventarem” uma finalização fácil para Marega, que não esteve muito em jogo, mas foi feliz em matéria de finalização.

Luis Diaz ainda deu a “mão cheia” ao FC Porto, após uma jogada de Manafá no corredor direito, dando significado estatístico a uma boa entrada em campo.

Neste sábado, o jogo não foi fácil para os “dragões”, mas resolveu-se com aparente facilidade. E isto define uma equipa adulta como continua a ser este FC Porto e um Boavista novamente frágil com o decorrer do jogo, tal como tinha sido no empate (3-3) com o Nacional.