Retrato de Botticelli vai a leilão por 69 milhões de euros

Sotheby’s diz que será um dos retratos mais caros já postos à venda num leilão.

sandro-botticelli,renascimento,leiloes,artes,culturaipsilon,pintura,
Foto
"Jovem Segurando um Medalhão", de Sandro Botticelli

Um retrato pintado por Sandro Botticelli, que representa um jovem segurando um medalhão, deverá ir à praça em Janeiro, em Nova Iorque, por 80 milhões de dólares (69 milhões de euros). A pintura com 550 anos é “um dos mais significativos retratos, de qualquer período, a aparecer num leilão”, defendeu a Sotheby's esta semana.

Jovem Segurando um Medalhão é um dos poucos retratos do mestre florentino que sobreviveram até hoje, permanecendo a quase totalidade, cerca de uma dúzia, guardada nos grandes museus.

Segundo a leiloeira, será um dos retratos mais caros já postos à venda num leilão, lembrando os recordes estabelecidos com o Retrato de Adele Bloch-Bauer II, vendido em 2006 por 87,9 milhões de dólares (75,5 milhões de euros), e o Retrato do Dr. Gachet, de Van Gogh, vendido em 1990 por 82,5 milhões (71 milhões de euros).

Christopher Apostle, chefe do departamento de pintura antiga da leiloeira em Nova Iorque, diz que, na imaginação popular, “nenhum outro pintor representa mais poderosamente a idade de outro do Renascimento florentino do que Sandro Botticelli” — a Florença de Lourenço de Médici. Para a leiloeira, este retrato é comparável, pela sua qualidade, aos melhores retratos de Botticelli dos principais museus como Retrato de Jovem com medalha de Cosimo de Médici (Galeria Uffizi) e Retrato de Juliano de Médici (National Gallery of Art, Washington).

PÚBLICO -
Foto

Sandro Botticelli (1445-1510), pintor de obras tão importantes na história da arte como O Nascimento de Vénus e A Primavera, foi um dos pioneiros do humanismo renascentista, um movimento que, inspirado na Antiguidade Clássica, pôs a vida humana tanto no centro da arte. “Botticelli estava na vanguarda deste movimento e o seu estilo revolucionário levou-o a ser um dos primeiros artistas a abandonar a tradição de representar o retratado de perfil. Apesar de incorporar o Renascimento florentino, esta pintura é de uma modernidade intemporal na sua surpreendente simplicidade, cores arrojadas e linearidade gráfica”, escreve a Sotheby’s de Nova Iorque no seu site, sublinhando a beleza deste jovem vestido de negro retratado num ângulo a três quartos à frente de uma janela aberta com o céu azul como fundo.

O retrato é também singular por se tratar de uma pintura dentro da pintura, uma vez que o jovem segura um medalhão que é uma obra atribuída ao pintor Bartolommeo Bulgarini, activo em Siena no século XIV.

A pintura foi descoberta na década de 30 do século passado na colecção de Lord Newborough, na sua propriedade Plas Glynllifon, em Caernarfon, no País de Gales, embora nessa altura não estivesse atribuída ao mestre italiano. Acredita-se que tenha sido adquirida em Itália por um dos seus antepassados, Thomas Wynn (1736-1807), o primeiro Lord Newborough, que viveu na Toscana. Por volta de 1935-38, passou através de um comerciante de arte londrino para as mãos de um coleccionador privado, sendo depois vendida pelos herdeiros ao seu actual dono por 810 mil libras (um milhão de euros), também num leilão em 1982.

Sugerir correcção