Filme Lingua Franca da filipina Isabel Sandoval vence Queer Lisboa

A obra da realizadora filipina radicada nos Estados Unidos vence competição de longas-metragens.

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"Lingua Franca", da filipina Isabel Sandoval

O filme de Isabel Sandoval, que realizou, escreveu e protagonizou Lingua Franca, venceu o prémio de melhor longa-metragem da edição deste ano do Queer Lisboa, anunciou no sábado à noite a organização.

O júri composto por André Tecedeiro, artista plástico e poeta, e Joana Ascenção, programadora de cinema, premiou o filme da realizadora filipina radicada nos EUA pela "singularidade e subtileza com que retrata uma realidade de vulnerabilidade e resistência, num contexto contemporâneo extremamente adverso”, diz o comunicado da organização. O prémio Competição de Longas-Metragens​, no valor de mil euros, é financiado pela Associação Variações.

Em Lingua Franca, a protagonista Olivia (Isabel Sandoval) é uma mulher imigrante trans filipina ilegal, que vive em constante paranóia com a deportação e trabalha como cuidadora de uma avó judaico-russa no bairro de Brighton Beach, em Brooklyn, descreve a sinopse do filme no site do festival. Quando um rapaz americano, a quem ela está a pagar para casarem e conseguir o visto, desiste do casamento, Olivia envolve-se com um trabalhador de um matadouro que não sabe que ela é transgénero.

O prémio melhor documentário foi para Toutes les Vies de Kojin (França), realizado por Diako Yazdani, com um júri composto por Catarina Alves Costa, Margarida Mercês de Mello e Paulo Pascoal, que justifica assim o prémio de 3000 euros atribuído pela RTP2, destinado à compra dos direitos de exibição do filme neste canal. O filme “oferece-nos um olhar humano sobre uma realidade que só a cumplicidade com quem está atrás da câmara pode revelar, [um] lugar da fragilidade imposta, filmada com empatia e força”.

O júri das curtas, constituído por José Magro, Ricardo Barbosa e Rita Natálio, entregou o melhor filme à curta-metragem brasileira Quebramar, de Cris Lyra: “Pelo mergulho no cuidado comunitário e reparador que conecta as vidas de jovens lésbicas de São Paulo. Um filme líquido atravessado pelas ocupações das escolas secundárias em 2015, pelo candomblé, pela música, pela ternura, e também pelo luto face a um Brasil despedaçado pela sua história política mais recente e pela violência colonial e racista que marca a sua fundação histórica.” O mesmo júri atribuiu uma menção especial a Aline (França, Suíça, 2019), de Simon Guélat, e distinguiu ainda a curta-metragem Why do I Feel Like a Boy? (República Checa), de Katerina Turecková, como melhor filme de escola europeia.

Na competição Queer Art, o júri premiou o argentino Santos (Argentina), de Alejo Fraile, tendo dado uma menção especial a Hiding in the Lights (Áustria, Itália, Espanha, Alemanha)de Katrina Daschner.

“Num ano de dificuldades acrescidas devido à situação de pandemia, o Queer Lisboa salienta a grande afluência de público, confirmando assim a vontade por parte dos espectadores em continuar a celebrar o cinema queer de forma presencial e também a crucial importância dos festivais de cinema, contrariando os números das salas de cinema comerciais. O Queer Lisboa 25 terá lugar de 17 a 25 de Setembro de 2021.

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