Festival de Sebastián expulsa realizador Eugène Green por não usar máscara

Festival de cinema espanhol retirou a acreditação de convidado ao realizador de A Religiosa Portuguesa.

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O realizador Eugène Green no Porto em 2019 Paulo Pimenta

O cineasta franco-americano Eugène Green foi esta semana expulso do Festival de San Sebastián, no País Basco (Espanha), por se recusar a usar correctamente uma máscara no interior de uma sala de projecção, uma medida sanitária obrigatória no combate à epidemia covid-19 em quase todos os países europeus. De nacionalidade norte-americana mas naturalizado francês, Green já filmou várias vezes em Portugal. 

O “desagradável incidente”, como esclareceu em comunicado o festival de cinema espanhol, deu-se na quarta-feira durante a projecção de Atarrabi et Mikelats, uma longa-metragem do cineasta que aborda a mitologia basca e foi apresentada numa secção fora da competição. Segundo o festival, “foi pedido [ao realizador] em cinco ocasiões diferentes pelo pessoal do festival para que colocasse a máscara e o fizesse correctamente”, mas “finalmente, perante a sua falta de colaboração, a direcção do festival pediu-lhe que abandonasse a sala”.

O comunicado datado desta sexta-feira acrescenta que o festival retirou a acreditação a Eugène Green, “por falta de respeito pelas medidas adoptadas de acordo com as autoridades sanitárias e o pessoal do festival, e por pôr em risco a saúde dos espectadores e da equipa do filme durante e depois da projecção”.

No ano passado, Eugène Green, que é também escritor, ensaísta, dramaturgo, encenador e actor, estreou o documentário Lisboa Revisitada na Fundação de Serralves, no Porto, no âmbito de uma retrospectiva dedicada à obra do realizador de A Religiosa Portuguesa (2009), uma adaptação das Cartas Portuguesas atribuídas a Mariana Alcoforado. Em 2018, o realizador estreou a curta Como Fernando Pessoa Salvou Portugal, com Carloto Cotta, que encena o episódio da criação pelo poeta português do slogan para a publicidade da Coca-Cola.

Em competição ao prémio Zabaltegi-Tabakalera, a mais aberta do festival, estão as longas-metragens portuguesas de Catarina VasconcelosA Metamorfose dos Pássaros, de Marta Sousa Ribeiro, Simon Chama, ​e a curta Noite Perpétua, de Pedro Peralta.

O Festival de Cinema de San Sebastián, que termina este fim-de-semana e abriu a 68.ª edição com o novo filme de Woody Allen, Rifkin’s Festival, já atribuiu o Prémio Donostia a Viggo Mortensen, uma distinção honorária para o actor que este ano apresentou Falling, a sua estreia na realização.

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