Bruxelas avisa governos que têm de fazer mais para travar a transmissão do novo coronavírus

Nova avaliação de risco do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças eleva risco de infecção para “moderado” a “alto” nos países onde a taxa de infecções está a subir e a taxa de positividade dos testes ou de mortalidade da doença está a aumentar.

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Stella Kyriakides, comissária europeia para a Saúde EPA/FRANCOIS LENOIR / POOL

Perante o aumento generalizado das infecções com o novo coronavírus nos países da União Europeia, a comissária europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, lançou esta quinta-feira um sério alerta aos governos dos 27 Estados membros, pedindo-lhes que apertem as medidas para a contenção dos contágios e assegurem que elas são cumpridas, particularmente pelas faixas etárias mais jovens, que são aquelas onde o número de novos casos mais cresceu nas últimas semanas.

“A crise não acabou e não podemos baixar a guarda. Não basta fazer o suficiente, é preciso estar preparado para o pior cenário possível”, afirmou a comissária, vincando que “esta pode ser a nossa última oportunidade para evitar uma situação como a que se viveu na Primavera”. A urgência é máxima, prosseguiu Kyriakides, notando que “nalguns lugares a situação actual já pior do que era no pico de Março”.

Como salientou a directora do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), Andrea Ammon, a evolução da pandemia está a fazer-se num sentido negativo e preocupante em vários países da União Europeia. “Passámos da transmissão local para a transmissão comunitária generalizada”, disse, confirmando que a maioria dos novos casos ocorre na população com idade compreendida entre os 15 e os 49 anos. “É verdade que nesta faixa etária há uma menor probabilidade de casos graves, mas eles acontecem”, advertiu. Na última semana, este grupo concentrou 44% dos casos mais severos de covid-19.

O acréscimo das notificações de novos casos na UE desde Agosto levou o ECDC a actualizar, esta quinta-feira, a sua avaliação de risco de infecção e doença para a população geral e para os grupos vulneráveis, bem como para a capacidade de resposta dos sistemas de saúde. 

Assim, o ECDC avalia que o risco para a população geral e o sistema de saúde nos países com uma taxa de novas infecções “baixa e estável” se mantém relativamente baixo, embora seja “moderado” para os grupos vulneráveis.

Porém, o risco passou a ser “moderado” e “alto” nos países onde se tem observado um aumento sustentado de novos casos e onde a taxa de positividade dos testes realizados é maior ou a taxa de mortalidade mais tem aumentado, respectivamente. Nesses países, o risco para os grupos vulneráveis é, actualmente, “muito alto”, na base da “probabilidade muito elevada de infecção e de impacto muito severo da doença”.

A comissária da Saúde e a directora do ECDC insistiram que, neste quadro, as medidas de protecção individual não terapêuticas, como o distanciamento social, a higienização das mãos, o isolamento imediato em caso de sintomas de doença ou ainda a limpeza e ventilação de espaços fechados, não podem ser descuradas. 

“Compreendemos a fatiga que tem levado as populações a relaxar o cumprimento das regras e até a protestar contra as medidas em vigor. Mas elas são absolutamente essenciais para proteger aqueles que nos rodeiam e os mais vulneráveis da sociedade”, afirmou Stella Kyriakides, para quem é preciso fazer um esforço suplementar na sensibilização dos mais jovens.

O relatório do ECDC também diz que as medidas tomadas pelos Estados membros até agora se têm revelado “insuficientes” para reduzir e controlar a transmissão. Às autoridades sanitárias, as duas responsáveis repetiram que a estratégia continua a assentar no aumento da capacidade de vigilância, através do rastreio e testes, e na melhor preparação dos sistemas de saúde — tendo em conta que a época da gripe se aproxima, a comissária da Saúde pediu aos Estados membros para intensificarem os seus esforços de vacinação.

“As nossas recomendações são mais válidas do que nunca: precisamos de mais testes, mais rastreio, mais medicamentos e equipamentos de protecção, mais capacidade hospitalar. Todos os Estados membros precisam de tomar medidas imediatamente e ao primeiro sinal de novos surtos”, sublinhou Stella Kyriakides, que afastou a hipótese de estas passarem por um novo confinamento geral que seria “muito prejudicial para a nossa saúde mental, para o bem-estar e a educação das nossas crianças, para a nossa vida quotidiana e profissional e para as nossas economias”.

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