Primeiro-ministro libanês pode demitir-se antes de formar governo

Mustapha Adib fez um apelo esta segunda-feira às forças políticas para facilitar a formação do Governo, mas a exigência da pasta das Finanças pelo Hezbollah está a travar o processo.

O primeiro-ministro designado do Líbano, Mustapha Adib
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O primeiro-ministro designado do Líbano, Mustapha Adib GONZALO FUENTES/Reuters

O primeiro-ministro designado do Líbano, Mustapha Adib, apelou esta segunda-feira às forças políticas para facilitarem a formação de um novo governo, previsto inicialmente para estar constituído na semana passada.

Os partidos políticos libaneses comprometeram-se no início de Setembro a formar um governo “de missão”, composto por ministros “competentes” e “independentes”, no prazo de duas semanas, para retirar o país da crise económica, segundo referiu o presidente francês, Emmanuel Macron, na sua visita a Beirute.

Mas o processo está num impasse devido a divergências sobre a atribuição das pastas ministeriais. O principal obstáculo vem do movimento xiita Hezbollah, “peso pesado” da política libanesa, e do seu aliado Amal, dirigido pelo presidente do Parlamento, Nabih Berri, que exigem a pasta das Finanças.

“Os males dos libaneses (…) necessitam da cooperação de todas as partes para facilitar a formação de um governo de missão com um programa específico que essas forças se comprometeram a apoiar”, sublinhou Adib num comunicado.

O primeiro-ministro designado apelou a todas as forças políticas para “trabalharem sem demora para o sucesso da iniciativa francesa, que abre caminho para o resgate do Líbano e trava a deterioração acelerada” da situação geral.

O Líbano vive há um ano uma das piores crises económicas, sociais e políticas da sua história, marcada pela queda da sua moeda, uma hiperinflação e o empobrecimento em larga escala da população.

A crise foi amplificada pela pandemia da covid-19 e pela trágica explosão de 4 de Agosto no porto do Beirute, que mobilizou a comunidade internacional. Esta exige, no entanto, reformas em contrapartida do apoio no valor de vários milhares de milhões de euros.

“Qualquer novo atraso agravará a crise”, alertou Adib, adiantando: “Não creio que alguém possa ter na sua consciência ter causado mais dor a este povo”.

Adib assegurou que vai prosseguir os esforços para formar um novo governo, em cooperação com o chefe de Estado, Michel Aoun, mas a imprensa libanesa já começa a falar da possível renúncia do primeiro-ministro designado devido às complicações políticas para formar o executivo.

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