Praxar ou ser praxado na Universidade de Lisboa vale processo disciplinar

Reitor da universidade proibiu realização de praxes, afirmando serem “incompatíveis” com as normas aprovadas para combater a pandemia.

,Classificações da QS World University
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Primeiro semestre do novo ano lectivo na Universidade de Lisboa arrancou a 7 de Setembro Sara Jesus Palma

Quase uma semana depois da praxe no Porto ter sido suspensa, a Universidade de Lisboa (UL) anunciou que as praxes seriam proibidas durante o próximo ano lectivo, tendo em conta a situação pandémica. Quem desrespeitar a nova directiva será alvo de processo disciplinar, anunciou esta segunda-feira a instituição de ensino superior.

Num despacho a que o PÚBLICO teve acesso, o reitor da UL, António Cruz Serra, afirmou que as actividades praxísticas são “incompatíveis com as normas aprovadas e cuja realização o país não compreenderia face à contenção que lhe é exigida”, e pediu “contenção” aos estudantes e à comunidade académica.

O reitor diz que não admite “que haja praxes este ano na Universidade de Lisboa” pois, aponta, “seguramente, violarão todas as normas da DGS sobre o número de pessoas com quem estamos em contacto”.

“É proibida a realização de quaisquer actividades relativas a praxes académicas, qualquer que seja a forma que possam assumir e o local onde decorram (…). A realização de quaisquer actividades relativas a praxes académicas constitui infracção disciplinar”, decreta o reitor no despacho.

António Cruz Serra notou ainda que a proibição de praxes não impede que os novos alunos da UL passem por actividades de acolhimento, organizados pelo estabelecimento de ensino. “A realização de praxes académicas não se confunde com o processo de acolhimento e de integração dos novos estudantes que as Escolas asseguram no respeito pelas regras decorrentes da situação de pandemia”.

O primeiro semestre do ano lectivo 2020/21 na UL arrancou no dia 7 de Setembro. O reitor aproveitou o despacho para relembrar que o uso de máscara é obrigatório “no interior dos edifícios e nos espaços ao ar livre, com excepção dos espaços de trabalho individual e das actividades desportivas e de lazer no Estádio Universitário de Lisboa, ou as que forem excepcionadas pelas Direcções das Escolas, dos Serviços Centrais e dos Serviços de Acção Social”.

Os que não usarem máscara dentro das instalações da universidade ou nos espaços geridos pela UL, “que incluem jardins, alamedas e espaços adjacentes ao edificado”, também podem ser alvo de processo disciplinar.

Enquanto que as autoridades da praxe suspenderam as actividades no Porto e na capital estão proibidas, em Coimbra a praxe vai voltar. Segundo o responsável pelo Conselho de Veteranos, Matias Correia, a entidade que regula a praxe na Universidade de Coimbra tomou a decisão de retomar as praxes “em articulação com a reitoria da Universidade de Coimbra”.

O uso de máscara é obrigatório e o dux veteranorum da academia de Coimbra garantiu que as actividades vão decorrer com “grupos mais pequenos e, dentro do possível, que garantam o distanciamento físico”.

Na Universidade do Minho, o regresso da praxe presencial chegou a ser equacionado para Junho, mas menos de 48 horas depois, a praxe acabou por ser suspensa. Esta terça-feira, o Cabido de Cardeais, o grupo que gere a praxe na academia minhota, irá reunir virtualmente para discutir “a situação actual da praxe”.

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