À terceira foi de vez: convenção dá lista de Ventura como eleita com 247 votos

André Ventura promete “fazer mudanças para que o poder no Chega nunca seja retirado aos militantes”. Convenção terminou com um curto discurso do presidente, em vez da intervenção mais longa prevista.

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Nuno Ferreira Santos
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À terceira votação, a lista para a nova direcção nacional do Chega proposta por André Ventura obteve 247 votos a favor dos 273 delegados que resistiram até às 19h30 para votar. Houve também um voto em branco e 25 contra.

Termina assim a maratona que arrancou por volta das 9h30 da manhã e só terminou às 20h mudou todo o programa do último dia da convenção do partido. Por exemplo, o discurso de encerramento ficou reduzido a poucos minutos e palavras de André Ventura logo depois do anúncio dos resultados da votação. Os convidados, incluindo os representantes dos partidos que aceitaram o convite do Chega, acabaram por passar a tarde entre as esplanadas da quinta e a sala, mas sem que houvesse um final tradicional da convenção.

Conhecidos os resultados, e já com Ventura em cima do palco, os apoiantes gritavam incessantemente “Nós só queremos Ventura ao poder, Ventura ao poder!” enquanto passava a música composta por um militante para o partido e o speaker dizia “obrigado, Évora. Temos presidente, temos direcção, temos tudo.”

Em cima do palco pouco depois de anunciados os resultados, André Ventura admitiu que o Chega “podia ter saído um partido muito diferente do que é” desta convenção. E que “voltou à urna para dizer que não aceita outro caminho do que aquele que tem vindo a trilhar”, numa referência ao facto de ter conseguido levar até ao fim a sua vontade na composição da lista que definiu.

“Aqueles que pensavam que seríamos um partido como os outros, em que em jogadas de bastidores se definia o poder interno, desenganem-se. Este partido é dos militantes e vai ser sempre dos militantes”, afirmou André Ventura. “Nunca cederei a jogos de bastidores, nunca. Porque posso enganar-me e posso estar certo, mas há uma coisa que eu sei: eu amo este país mais do que qualquer político em Portugal e tenho o direito legítimo a ser o presidente deste partido.”

O líder do partido realçou que apesar de ter apresentado o seu programa para Portugal “estava prestes a perder o caminho que tinha feito”. “Não podemos nem deixaremos que volte a acontecer. Por isso quero deixar uma promessa enquanto presidente eleito com 99,4% dos votos: vamos fazer mudanças para que o poder no Chega nunca seja retirado aos militantes. Nós não somos um partido do sistema, e nunca seremos.”

Mas Ventura deixou uma ferroada aos que “ao longo da tarde, dos outros partidos e em comentários televisivos ou jornalísticos foram dizendo que podia ser o último dia de Ventura à frente do Chega” e aos que já “estavam a abrir o champanhe”. “Esqueceram-se que não somos esse partido, o que retira a confiança a quem trabalha por ele (...) Este partido é das bases e é a elas que o partido será devolvido porque essa é a nossa força.”

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Fez questão de vincar que o Chega “tem democracia interna” e sai “mais forte do que nunca” e que ele próprio sai “ainda com mais vontade de lutar” pelos militantes e pelo país, especificando que se dirigia a Rui Rio, António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. “Eu ainda aqui estou e vou continuar com a força deste partido”, prometeu, afirmando que os que pensavam que se ia “calar” “tiveram às 20h05 uma grande desilusão”. E terminou em gritos repetitivos de “muito obrigado pelo vosso apoio, obrigado, obrigado”. 

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