EUA reforçam presença na Síria depois de embate com tropas russas

Confirmação do envio de reforços coincidiu com declarações de Trump sobre as tropas americanas só estarem na Síria para proteger o petróleo, contrariando o Pentágono.

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Um helicóptero russo voa sobre o Templo de Bel, na histórica cidade de Palmira, na Síria Omar Sanadiki

Não se registaram disparos, mas sete soldados americanos sofreram contusões quando foram abalroados por uma coluna de viaturas russa. O embate de 25 de Agosto foi o último numa série de altercações entre os contingentes militares de Washington e de Moscovo no Nordeste da Síria. Em resposta, os Estados Unidos enviaram agora para a região perto de 100 soldados, blindados, sistemas de radar e caças.

“Estas acções são uma demonstração clara da determinação dos EUA”, diz o capitão Bill Urban, porta-voz do Comando Central americano, em resposta a perguntas do jornal The New York Times. O objectivo, acrescenta, “é garantir que são capazes de derrotar a missão do ISIS [sigla em inglês para o Daesh] sem interferências”.

“Os Estados Unidos não procuram o conflito com nenhuma nação na Síria, mas não deixarão de defender as forças da coligação se isso for necessário”, afirma o mesmo Urban, citado pela Associated Press. Segundo um alto responsável militar ouvido pela agência de notícias sob anonimato, os reforços visam avisar a Rússia para evitar mais acções provocatórias e perigosas contra os EUA e os seus aliados na zona.

Os incidentes entre os militares dos EUA e da Rússia, que está na Síria em apoio ao ditador Bashar al-Assad, têm-se multiplicado este ano, com a liderança militar americana a acusar os russos de provocarem estes encontros, violando o acordo alcançado em Dezembro de 2019 para que forças no terreno se desviem umas das outras. Segundo o Pentágono, este último teve lugar durante uma patrulha americana de rotina numa zona onde as tropas russas não deveriam, à partida, estar presentes.

Vídeos do incidente mostram o que se percebe ser um veículo russo a chocar contra um americano, enquanto dois helicópteros russos sobrevoam forças americanas a baixa altitude. Seguiram-se versões contraditórias, com o Pentágono e o Comando Central a condenarem a acção de Moscovo, enquanto a Rússia acusava as tropas dos EUA de tentarem bloquear uma patrulha russa, “em violação dos acordos existentes”.

Os EUA retiraram-se de grande parte do Leste da Síria há um ano, antes do início da ofensiva da Turquia contra as milícias curdas que durante anos asseguraram a primeira linha do combate da coligação dos americanos contra o Daesh. Com a retirada então ordenada por Donald Trump, ficaram no terreno 500 soldados americanos.

Em sentido inverso seguiram agora blindados de combate Bradley, radares Sentinel para seguir os helicópteros russos, assim como mais patrulhas de caças e helicópteros para apoiar as forças no terreno.

Congressistas democratas e também republicanos criticaram a resposta da Casa Branca, considerando-a inadequada. Os democratas viram no episódio mais um exemplo da recusa de Trump em questionar a Rússia – o candidato democrata às presidenciais de 3 de Novembro, Joe Biden, realçou o silêncio do chefe de Estado. “Ouviram o Presidente dizer uma única palavra? Levantar um dedo sequer”, perguntou num discurso de campanha.

O anúncio do envio destes reforços coincidiu com declarações de Trump sobre as tropas americanas só estarem na Síria para proteger o petróleo, notou o New York Times. Numa conferência de imprensa na Casa Branca, o Presidente disse que as tropas americanas “estão fora da Síria”, excepto no que respeita aos campos de petróleo. “Para além disso, estamos fora da Síria”, afirmou, sem mencionar o que o Pentágono considera a principal missão americana no país, a colaboração com os aliados curdos no combate ao Daesh.

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