Opinião

Como evitar que as crianças toquem permanentemente no rosto?

Estratégias simples para diminuir um comportamento tão normal como comum e que podem ser uma ajuda na luta contra o vírus

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Annie Spratt/Unsplash

Ouvimos os especialistas dizer que lavar as mãos e evitar tocar no rosto é meio caminho andado para acabar com a disseminação do Covid-19. Mas não é fácil manter as mãos dos nossos pequeninos ocupadas, proibir que tirem “catotas"/"macacos” do nariz, muito menos explicar-lhes isto. Assim, sugerimos algumas estratégias que podem ser uma ajuda na luta contra o vírus, ajudando-os a diminuir um comportamento tão normal e comum como seja o levar as mãos à cara.

1. Utilize o reforço positivo

As crianças respondem melhor ao reforço positivo do que a críticas ou correções. Elogie a criança sempre que ela não está com as mãos no rosto, ao invés de a impedir a fazê-lo. Crie pequenos incentivos para a recompensar sempre que não toca no rosto, sejam eles autocolantes, doces saudáveis ou pequenos brinquedinhos. Através das suas afirmações a criança irá perceber o que não deve fazer, por exemplo “Muito bem! Estás com as mãozinhas no sítio certo!”, ou “Fico muito contente por não estares a tocar na tua carinha!”.

2. Lenços de papel sempre à mão!

Coloque lenços de papel espalhados pela casa e incentive o seu pequenino a utilizá-los sempre que quiser limpar o nariz ou tocar na cara. Ensine-lhe que, depois de utilizar um lenço, deve colocá-lo sempre no caixote do lixo. E ensine-lhe também a lavar as mãozinhas após assoar o nariz.

3. Ajude o seu filho a tornar-se mais consciente

Embora o reforço positivo seja essencial neste tipo de comportamento, se ajudar o seu filho a tornar-se mais consciente dos seus atos, possivelmente a frequência com que toca no rosto irá também diminuir. Para isso basta sinalizar sempre que vir o pequenino com a mão no rosto. Atenção: sinalizar não é ralhar, nem proibir! Simplesmente dizer “Filho, estás com as mãozinhas na cara...” ou criar uma palavra código que ambos percebam o seu significado, como por exemplo “pêssego”, vai ver que ele vai adorar. Estará apenas a trabalhar a consciência corporal e a atenção plena da criança. Também é importante falar com o seu filho sobre o objetivo de reduzir este hábito e explicar-lhe que a mamã e o papá também o tentam fazer e de que forma o fazem.

4. Cortes de cabelo curtos ou cabelos apanhados

Ninguém gosta de ter o cabelo à frente dos olhos! Quando a criança está a brincar e um cabelo lhe foge para os olhos ou para a boca, fazendo-lhe cócegas na cara, é normal que esta o tente voltar a prender. Para isso é inevitável que toque com as mãos no rosto. Por isso privilegie cortes curtos ou cabelos apanhados, para que este não seja um incómodo nem um motivo de contaminação para a criança. 

5. Mantenha as suas mãozinhas ocupadas!

Se a criança tiver as mãos livres, mais facilmente tocará no próprio rosto. Por isso, dê-lhe coisas para mexer, tocar e/ou segurar, de forma mais ou menos constante. Ofereça-lhe brinquedos, como cubos mágicos ou fidget spinners, que mantenham as suas mãos ocupadas. Quando inibimos um comportamento, ou seja, quando pedimos à criança que não faça algo, estamos a requerer que o córtex pré-frontal seja totalmente funcional, o que não acontece antes dos 25 anos.

6. Explique-lhe o vírus

Se o seu filho tem pelo menos 3 anos, explique-lhe o que é o Covid-19, como se espalha se tocarmos no rosto e o que podemos fazer para prevenir a sua transmissão. Existem muitas formas de educar as crianças para o vírus através de jogos e atividades divertidas. Acredite que, se o seu filho tiver uma melhor conceptualização do vírus, se o procurar envolver neste processo, irá ser mais motivante para ele alcançar o objetivo, ou seja, não tocar na cara!

7. Lavem bem as mãos!

É importante não esquecer que, por muito que expliquemos o vírus à criança e que façamos tudo para que não coloque as mãos no rosto, será impossível controlar por completo este tipo de comportamento. Por isso, é importante atuar na prevenção, lavando as mãos com regularidade. Ensine o seu pequenino a lavar as mãos corretamente, o que implica cantar a canção dos parabéns até ao fim, e a desinfetá-las, permanecendo a ideia de que este hábito se deve prolongar para além da pandemia!

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A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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