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As paredes da Reitoria do Porto vão contar histórias dos refugiados de Moria

Evento solidário para com os refugiados de Moria, cujo campo foi devastado por um incêndio no início de Setembro, chega ao Porto esta sexta-feira à noite. Na fachada da Reitoria da Universidade do Porto vão ser projectados vídeos com testemunhos de pessoas que estiveram no campo.

“Humanos estão a morrer e o mundo está em silêncio. Novamente”, contesta o movimento internacional Europeans For Humanity. O “silêncio” será quebrado esta sexta-feira, pelas 21horas, na fachada da Reitoria da Universidade do Porto (UP). A organização, que luta pelos direitos humanos dos refugiados e requerentes de asilo, começou uma “onda de solidariedade” a nível europeu, face aos incêndios que, a 9 de Setembro, destruíram o campo de refugiados de Moria, na Grécia. 

Para acentuar a responsabilidade dos líderes europeus, no seguimento dos incêndios em Moria, os activistas encontraram uma nova forma de passar a sua mensagem. Enough is Enough – Evacuate Now consiste na projecção de vídeos transnacionais em edifícios politicamente relevantes de cidades europeias. Começou a 17 de Setembro, em Viena de Áustria e Berlim. Em Portugal, será feita a exibição de vídeos esta sexta-feira, 18 de Setembro, na Reitoria da UP, na Praça de Gomes Teixeira, no Porto.

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Projecção no Cais de Viena DR

Apesar da previsão meteorológica indicar uma noite chuvosa, o plano mantém-se: o vídeo será projectado do interior de uma carrinha para salvaguardar os equipamentos técnicos. A adesão do público é difícil de determinar, uma vez que o evento não tem qualquer convocatória. “É nossa missão criar surpresa”, explica, ao P3, Mariana Santos, responsável pelo acontecimento em Portugal. “É apenas um vídeo, com cerca de seis minutos, de um refugiado que está a viver na cidade de Mitilene a denunciar as condições que existiam no campo de refugiados e o que está a acontecer actualmente após o incêndio”, adianta. Serão também transmitidas imagens do incêndio e das instalações do campo em Moria. 

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Com esta acção, a organização pretende sensibilizar o público para as condições em que vivem os refugiados do campo, “após anos de violações de direitos humanos e muitas mortes”. “É hora de a Europa dar um passo em frente pela humanidade”, enunciam. Não querem a reconstrução do campo e acreditam que “um novo não deve ser montado”. Exigem, sim, a “evacuação imediata destas pessoas e de todos os campos de refugiados nas ilhas do mar Egeu”, explicam em comunicado.

A sessão de projecção, organizada pela organização não-governamental Europeans For Humanity e pelo deputado europeu pela Alemanha Erik Marquardt decorrerá em simultâneo no Porto, Bruxelas e Munique na noite desta sexta-feira. Mais cidades europeias vão participar no movimento transeuropeu nos próximos dias.

A 9 de Setembro, um incêndio deflagrou no maior campo de refugiados da Europa, em Moria: 13 mil pessoas encontram-se desalojadas, sem apoio ou comida, e são forçadas a permanecer na “área restrita” — uma rua ao longo da costa, entre o antigo acampamento de Moria e a cidade de Mitilene. Na zona, a polícia impede a entrada a trabalhadores humanitários e jornalistas e proíbe a saída de refugiados. Há relatos de violência entre as forças policiais e os refugiados, depois destes terem protestado contra a reconstrução do campo e a polícia ter disparado gás lacrimogéneo.

Esta quinta-feira, 17 de Setembro, começaram a ser encaminhados refugiados para um novo campo temporário em Kara Tepe, também em Lesbos. Porém, com a expectativa de sair da ilha, algumas pessoas resistiram à mudança, receando as más condições no novo campo. Entretanto, o ministro do Interior da cidade-estado de Berlim, Andreas Geisel, anunciou que dez países da União Europeia vão receber cerca de 400 migrantes menores desacompanhados​. São esperados 28 em Portugal.

Nos últimos anos, para fugir à guerra, os refugiados têm atravessado o mar Egeu na esperança de chegar à Europa. Os que conseguem são remetidos para campos que oferecem uma segurança temporária, lugares que deveriam ser de passagem e acabam por se tornar a casa destas pessoas. Acampamentos sobrelotados, sem acesso a cuidados médicos adequados, violência policial e instalações sem saneamento básico são algumas das condições da vida em Moria. No início de Setembro foi confirmado o primeiro caso de contágio por covid-19 no campo e no momento do incêndio havia já 35 pessoas infectadas, cujo paradeiro é desconhecido pelas autoridades.

Texto editado por Ana Maria Henriques

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