Presidente interina da Bolívia retira candidatura a um mês das presidenciais

Jeanine Áñez ocupa o quarto lugar nas sondagens, com apenas 10% da preferência dos eleitores. Com o voto fragmentado à direita, vitória de Luis Arce, aliado de Evo Morales, logo na primeira volta é uma possibilidade.

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Jeanine Áñez assumiu a presidência interina da Bolívia em Novembro de 2019 Reuters/LUISA GONZALEZ

A Presidente interina da Bolívia Jeanine Áñez, desistiu da candidatura às eleições presidenciais marcadas para 18 de Outubro. O anúncio foi feito na quinta-feira à noite e justificado com a necessidade de derrotar Luís Arce, do partido do ex-Presidente Evo Morales.

“Hoje, ponho de lado a minha candidatura à presidência da Bolívia, pelo bem da democracia”, afirmou Áñez. “Se não estivermos unidos, Morales vai regressar. Se não estivermos unidos, a democracia perde”, acrescentou a Presidente interina, sem revelar o candidato que vai apoiar agora que está fora da corrida.

Depois de umas eleições contestadas em Outubro de 2019, Evo Morales, do partido Movimento ao Socialismo (MAS), saiu da presidência da Bolívia, cargo que ocupava desde 2006, e foi substituído pela senadora Jeanine Áñez, de direita, que contou com o apoio dos militares, que exigiram o afastamento de Morales.

O antigo Presidente está exilado desde o final do ano passado na Argentina. As eleições presidenciais foram inicialmente marcadas para Maio, no entanto, foram adiadas para Setembro e mais tarde para Outubro.

A um mês das eleições, e em queda nas sondagens, Jeanine Áñez abdica da candidatura, um dia depois de surgir em quarto lugar nas com apenas 10% das intenções de voto numa sondagem conduzida pela Jubileo Foundation.

Luis Arce, do MAS de Evo Morales, é o favorito à vitória, com 40% das intenções de voto, seguido pelo antigo Presidente Carlos Mesa, que conta com o apoio de 26% do eleitorado, e pelo conservador Luis Fernando Camacho, que impulsionou os protestos contra Morales no final do ano passado, com 14,4%.

Segundo a lei boliviana, para vencer na primeira volta, o candidato mais votado não precisa de conseguir mais de 50% dos votos: basta que tenha mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo classificado. Um cenário que, de acordo com a sondagem da Jubileo Foundation, daria a vitória a Luis Arce, antigo ministro da Economia de Evo Morales.

Com o abandono de Áñez, o voto à direita ficará menos fragmentado e a hipótese uma vitória à primeira volta do candidato do MAS torna-se mais difícil.